26/02/09 - 11h09 - Atualizado em 26/02/09 - 11h28

Deputados e senadores propõem 248 emendas a MP de regularização fundiária

Medida autoriza transferir terras da União de até 15km² sem licitação.
Parlamentares defendem mudanças de prazos e critérios.

Do Globo Amazônia, em São Paulo*

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Senadores e deputados apresentaram 248 propostas de emenda à medida provisória 458/09, que autoriza a transferência a particulares de terrenos da União dentro da Amazônia Legal de até 1.500 hectares (15 km²) sem licitação, informa a Agência Câmara. O prazo para a apresentação de emendas à MP, que foi publicada dia 11 de fevereiro, terminou no último dia 17.

 

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Segundo a agência de notícias oficial, muitas das propostas apresentadas coincidem em suas finalidades, mas há outras que divergem em relação a prazos de ocupação e áreas a serem preservadas.

 

Doação e venda

 

Segundo o texto publicado no dia 11, os terrenos da União de até 100 hectares (0,1km²) serão regularizados por meio de doação e aqueles entre 100 e 400 hectares terão a venda subsidiada. Para os terrenos entre 400 e 1,5 mil hectares, será levado em conta o preço de mercado, sem licitação. Para as áreas entre 1,5 mil e 2,5 mil hectares, continua havendo licitação e, para terrenos maiores de 2,5 mil hectares, será necessária autorização do Congresso Nacional.

 

A medida também trata da regularização dos cessionários dos assentamentos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da regularização de áreas urbanas dos municípios da região. Cria, ainda, uma superintendência no Ministério do Desenvolvimento Agrário para executar a regularização. 

 

Áreas urbanas

 

Entre os temas que mais preocuparam os parlamentares está a definição precisa de termos adotados no texto original, considerados vagos pelos legisladores. É o caso de áreas urbanas consolidadas. No texto original , para serem caracterizadas, basta que estejam em regiões que apresentem sistema viário implantado e densidade de ocupação característica.

Para a maior parte das emendas, como a do deputado Moreira Mendes (PPS-RR), que apresentou 18 sugestões, é necessário que haja também malha viária com canalização de águas pluviais, rede de abastecimento de água, rede de água e esgoto, distribuição de energia elétrica e iluminação pública, recolhimento e tratamento de lixo, e população superior a 5 mil habitantes por quilômetro quadrado.

 

Texto vago


Na opinião do deputado Luciano Pizzato (DEM-PR), que apresentou oito emendas, o texto original é vago ao definir comunidades tradicionais, cujas áreas não são passíveis de alienação. Por isso, propôs que sejam definidas como tradicionais as populações indígenas e quilombolas. Já a deputada Maria Helena (PSB-RR) apresentou emendas que propõem que sejam incluídas nesse item os ribeirinhos, seringueiros, castanheiros e quebradeiras de babaçu.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) será responsável pela fixação do preço a ser pago por aqueles que tiverem sua terra regularizada. Mais de seis emendas se preocupam em fixar uma forma de reajuste para que as famílias de mais baixa renda não sejam impossibilitadas de pagar. Entre as sugestões, o deputado Nazareno Fonteles (PT-PI), que apresentou 23 emendas, propõe que o reajuste seja o mesmo previsto para os Títulos da Dívida Agrária.

 

*Com informações da Agência Câmara

 

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