A publicação do caso de um besouro gigante (Titanus giganteus) que foi parar na Suíça após ter se escondido na mala de uma turista gerou reação dos internautas que visitam o Globo Amazônia. Eles questionaram como um animal de 14,5 centímetros de comprimento pode ter sido transportado vivo sem que ninguém percebesse. “Vocês acreditam mesmo que o besouro pegou carona? Talvez ele queria arranjar um emprego em Genebra”, ironizou um internauta em comentário deixado no Globo Amazônia. “Que historinha mal contada essa. Se foi por engano, por que não devolveram?”, questionou outro leitor.
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Giulio Cuccodoro, do Museu de Genebra, observa besouro que veio da Amazônia. (Foto: Philippe Wagneur-Museu de Genebra/Divulgação)
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A equipe do portal entrou em contato com Giulio Cuccodoro, pesquisador do Museu de História Natural de Genebra que apresentou o animal publicamente, para conseguir mais detalhes sobre como obtiveram o inseto amazônico.
“Este espécime nunca foi tirado de sua floresta nativa. Ele saiu de lá por conta própria! Ele foi atraído pelas luzes de uma povoação na Amazônia, onde foi acidentalmente aprisionado e transportado para a Suíça”, alega o cientista.
Bagagem nos aeroportos
O coordenador de operações e fiscalização do Ibama, Roberto
Cabral, não apreciou a coincidência. “Uma parte do tráfico
internacional de animais é pra pesquisadores, para museus. O
fato de a pessoa ter doado para uma instituição de pesquisa não
regulariza o animal”, afirma.
Ele informa que é praticamente impossível detectar
a saída de insetos nos aparelhos que analisam a bagagem dos
passageiros nos aeroportos. “Invertebrados são difíceis de
detectar. Como eles têm uma massa corporal muito pequena, é
complicado evitar esse tipo de situação. Se fosse um pássaro,
seria mais fácil, devido ao calor.”
Animal foi vítima
Para Cuccodoro, de Genebra, histórias semelhantes ocorrem com
outros animais. “É um caso claro de contaminação, como piolhos
que viajam escondidos nos cabelos de alguns viajantes, mas muito
mais espetacular!”, argumenta Cuccodoro, em e-mail de resposta
ao Globo Amazônia.
“Este pobre Titanus viajante deve ser considerado
uma vítima direta do estado de poluição de nosso mundo moderno
globalizado”, prossegue. Ele acrescenta que o animal exposto,
após tratamento para permanecer conservado, pode servir para
sensibilizar o público para as leis ambientais. No momento, o
besouro se encontra em uma geladeira, à espera de um tratamento
para que não se decomponha.
Segundo a versão divulgada pelo museu, uma
viajante suíça encontrou o besouro em sua bagagem quando voltou
a Genebra após ter visitado a Amazônia. A turista, que não foi
identificada, colocou o inseto ainda vivo dentro de um vidro com
álcool e chamou uma empresa de dedetização, temendo haver mais
animais em sua casa. Um dos funcionários da empresa enviou o
Titanus ao Museu de História Natural de Genebra, onde foi identificado.
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