A reforma da rodovia BR-319, que liga Porto Velho a Manaus, pode ter um custo superior aos benefícios gerados pela obra. Dados preliminares de um estudo realizado pela ONG Conservação Estratégica (CSF-Brasil) apontam que o empreendimento poderá gerar, no mínimo, cerca de R$ 315 milhões de prejuízos nos próximos 25 anos.
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Isso ocorreria porque a diminuição nos custos de
transporte não seria forte o suficiente para cobrir os custos da
reforma, que prevê a pavimentação de pelo menos 400 quilômetros
de estrada no meio da floresta. As obras na BR-319 estão
previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), e seu
custo de implantação é de aproximadamente R$557 milhões.
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Manchas amarelas mostram a previsão de desmatamento em 2030. À esquerda, a rodovia sem pavimentação. À direita, a estrada pavimentada, sem parques e reservas ou com unidades de conservação que não fornecem a proteção necessária. (Fonte: Conservação Estratégica)
Segundo o estudo, a obra causa ainda mais prejuízo caso sejam
considerados os custos ambientais. A implantação de 29 parques e
reservas ao longo da rodovia irá gerar um custo estimado de R$
578 milhões, que não será coberto pela economia nos transportes.
Sem essas unidades de conservação, contudo, o
cenário pode ser ainda pior. De acordo com a análise da ONG, a
reforma da estrada, sem a proteção de reservas, poderia causar
desmatamento e esgotamento de recursos naturais, gerando um
custo ambiental calculado em R$ 1,9 bilhão.
“Para esse cálculo, foram consideradas as emissões
de carbono, perdas de potencial de uso da biodiversidade para a
criação de produtos farmacêuticos e o valor que sociedade
atribui à floresta em pé, mesmo sem o uso dela”, explica o
biólogo Leonardo Fleck, que é um dos autores do estudo.
A conclusão da Conservação Estratégica é que a
reforma da rodovia não é um bom investimento. No lugar dele, os
pesquisadores sugerem que sejam gastos recursos em outras formas
de transporte. “Investimentos e incentivos aos modais de
transporte atuais e alternativos, nas hidrovias, portos,
aeroportos e ferrovias, poderão tornar-se alternativas mais
eficientes para a alocação de recursos públicos federais”, diz
trecho da análise.
Intransitável
Recuperação da rodovia que liga Porto Velho a Manaus está prevista no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). (Foto: Greenpeace/Divulgação)
Construída durante o regime militar, a Porto Velho-Manaus tem
quase metade de seus cerca de 880 quilômetros intransitáveis
desde a década de 1980.
A recuperação da estrada causa preocupação entre
ambientalistas, pois poderia abrir um eixo de desmatamento em
uma das áreas mais preservadas da Amazônia, a exemplo do que
aconteceu no oeste do Pará com a criação da BR-163
(Cuiabá-Santarém), atualmente uma das regiões mais conturbadas
no que se refere a desmatamento e disputas por terra.
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