15/04/09 - 11h53 - Atualizado em 15/04/09 - 18h11

Reforma da Porto Velho-Manaus trará prejuízo, diz estudo

Benefícios da obra não compensariam investimento, afirma ONG.
Estrada corta uma das regiões mais preservadas da Amazônia.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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A reforma da rodovia BR-319, que liga Porto Velho a Manaus, pode ter um custo superior aos benefícios gerados pela obra. Dados preliminares de um estudo realizado pela ONG Conservação Estratégica (CSF-Brasil) apontam que o empreendimento poderá gerar, no mínimo, cerca de R$ 315 milhões de prejuízos nos próximos 25 anos.

 

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Isso ocorreria porque a diminuição nos custos de transporte não seria forte o suficiente para cobrir os custos da reforma, que prevê a pavimentação de pelo menos 400 quilômetros de estrada no meio da floresta. As obras na BR-319 estão previstas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), e seu custo de implantação é de aproximadamente R$557 milhões.

 

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Foto: Conservação Estratégica

Manchas amarelas mostram a previsão de desmatamento em 2030. À esquerda, a rodovia sem pavimentação. À direita, a estrada pavimentada, sem parques e reservas ou com unidades de conservação que não fornecem a proteção necessária. (Fonte: Conservação Estratégica)

 

Segundo o estudo, a obra causa ainda mais prejuízo caso sejam considerados os custos ambientais. A implantação de 29 parques e reservas ao longo da rodovia irá gerar um custo estimado de R$ 578 milhões, que não será coberto pela economia nos transportes.

Sem essas unidades de conservação, contudo, o cenário pode ser ainda pior. De acordo com a análise da ONG, a reforma da estrada, sem a proteção de reservas, poderia causar desmatamento e esgotamento de recursos naturais, gerando um custo ambiental calculado em R$ 1,9 bilhão.

“Para esse cálculo, foram consideradas as emissões de carbono, perdas de potencial de uso da biodiversidade para a criação de produtos farmacêuticos e o valor que sociedade atribui à floresta em pé, mesmo sem o uso dela”, explica o biólogo Leonardo Fleck, que é um dos autores do estudo.


A conclusão da Conservação Estratégica é que a reforma da rodovia não é um bom investimento. No lugar dele, os pesquisadores sugerem que sejam gastos recursos em outras formas de transporte. “Investimentos e incentivos aos modais de transporte atuais e alternativos, nas hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias, poderão tornar-se alternativas mais eficientes para a alocação de recursos públicos federais”, diz trecho da análise.

Intransitável

 

Recuperação da rodovia que liga Porto Velho a Manaus está prevista no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). (Foto: Greenpeace/Divulgação)

Construída durante o regime militar, a Porto Velho-Manaus tem quase metade de seus cerca de 880 quilômetros intransitáveis desde a década de 1980.

A recuperação da estrada causa preocupação entre ambientalistas, pois poderia abrir um eixo de desmatamento em uma das áreas mais preservadas da Amazônia, a exemplo do que aconteceu no oeste do Pará com a criação da BR-163 (Cuiabá-Santarém), atualmente uma das regiões mais conturbadas no que se refere a desmatamento e disputas por terra.

 

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