29/04/09 - 15h36 - Atualizado em 29/04/09 - 21h47

Empresa é multada em R$ 5 milhões por vazamento de esgoto industrial no PA

Há suspeita de que rios estejam contaminados por soda cáustica.
Peixes apareceram mortos e moradores estão sem água.

Do Globo Amazônia, em Sâo Paulo

Tamanho da letra

O Ibama multou a empresa Alunorte em R$ 5 milhões pelo vazamento de resíduos industriais em córregos do município de Barcarena, no Pará. Na última segunda-feira (27), chuvas provocaram o transbordamento dos rejeitos da empresa, que realiza a transformação da bauxita em alumina, matéria-prima para a fabricação do alumínio.

 

Foto: Ibama/Divulgação

Coloração vermelha é típica da bauxita, material processado pela empresa. Há suspeitas de que os rios estejam contaminados com soda cáustica. (Foto: Ibama/Divulgação)

 

Na última terça-feira (28), especialistas do Instituto Evandro Chagas e do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves recolheram amostras de água do local, pois há suspeita de que a água tenha sido contaminada com soda cáustica, material tóxico usado no processamento da bauxita. Muitos peixes apareceram mortos e moradores que vivem às margens do rio estão sem água potável.

 

Em nota divulgada à imprensa, o Ibama afirma que, além dos R$ 5 milhões, a Alunorte terá que pagar R$ 100 mil por ter dificultado a fiscalização. Segundo o órgão ambiental, funcionários da empresa barraram a entrada dos fiscais por 45 minutos no dia do acidente, atrapalhando a vistoria.

 

 

Outro lado

 

A Alunorte publicou nota na noite desta quarta-feira (29) afirmando que não há qualquer risco para a saúde das pessoas ou uma evidência forte para ocorrência de mortandade de peixes no local.

 

Além disso, a empresa argumenta que não houve rompimento do sistema de escoamento de águas pluviais e nem de barragem, e que o que ocorreu foi o transbordamento de um dos canais de coleta de água de chuva, na última segunda-feira (27) “em função de um temporal de intensidade nunca antes registrada na história da região”.

 

Com o transbordamento da água de chuva misturada com resíduos de bauxita, que contêm soda cáustica, diz a empresa, uma parte desta água alcançou o Rio Murucupi, alterando sua coloração.

A Alunorte declara ainda que intensificou o monitoramento e a análise da água do rio imediatamente após o ocorrido e que contratou duas empresas especializadas em análises ambientais a fim de avaliar as condições da água.

De acordo com o laudo de uma dessas empresas, para as amostras de diversos pontos do rio que tiveram a acidez analisada, a conclusão foi que encontram-se dentro dos limites estabelecidos pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama).

“Sobre a multa aplicada pelo Ibama, a Alunorte irá recorrer, pois entende que o acidente foi provocado por um fenômeno da natureza”, conclui a companhia.
 

Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias ou ideias para melhorar
a proteção da floresta, entre em contato com o Globo Amazônia pelo e-mail
globoamazonia@globo.com . Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail,
telefone e, se possível fotos ou vídeos.


Leia mais notícias de Amazônia