11/05/09 - 10h55 - Atualizado em 11/05/09 - 10h55

Esgoto e desmatamento ameaçam igarapés da Amazônia

Pequenos rios também são destruídos por estradas e garimpos.
Qualidade da água piora, córregos secam e peixes morrem.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Os pequenos córregos de onde nasce a maioria dos rios na Amazônia estão ameaçados. Esgoto, desmatamento, barragens irregulares, construção de estradas e garimpos matam aos poucos os igarapés, comprometem a qualidade da água e acabam com os pequenos animais que vivem nesses cursos d’água.

 

 

Foto: Projeto Igarapés/Divulgação

Quase toda a água da Amazônia passa por pequenos igarapés antes de chegar aos grandes rios. A destruição desses locais pode comprometer toda a bacia. (Foto: Projeto Igarapés/Divulgação)

“Em última análise, todo rio começa como um pequeno igarapé. A importância ecológica [dos igarapés] já começa por aí: impactar esses ambientes afeta toda a bacia. É o que acontece hoje no Xingu, onde o corpo do rio é protegido, mas as cabeceiras estão sendo ameaçadas”, afirma o biólogo, Jansen Zuanon, pesquisador do Projeto Igarapés, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Segundo o biólogo, conservar os igarapés ajuda a diminuir a poluição ao longo dos rios. “Proteger as cabeceiras faz com que aumentem as chances de ter água limpa por mais tempo, até mesmo diminuindo o efeito negativo da poluição rio abaixo”, afirma. 

Esgoto nas cidades

Um dos locais onde os igarapés estão mais ameaçados é nas grandes cidades. Há acúmulo de lixo, esgoto doméstico e canalização dos pequenos rios. “Na maior parte de Manaus o esgoto não é tratado. Há muitas invasões, mas também o hábito de morar na beira dos igarapés”, relata Zuanon.

Segundo o cientista, na capital amazonense também há problemas com esgoto industrial. “Às vezes os igarapés de Manaus aparecem tingidos por dejetos industriais clandestinos.” 

Desmatamento

Outro grande destruidor de igarapés é o desmatamento. Quando a mata é retirada, as chuvas levam areia para o leito dos rios, deixando-os mais rasos. Além disso, a falta de vegetação na beira d’água aumenta a temperatura dos córregos, impedindo que animais vivam ali. “A fauna praticamente desaparece”, afirma o pesquisador do Inpa.

Um exemplo desse problema foi enviado ao Globo Amazônia pelos internautas da cidade de Brasil Novo, no Pará. Lá, os criadores de gado desmataram a margem dos igarapés, matando vários rios. Um grupo de alunos e professores está se mobilizando para convencer proprietários de terra a replantar essas áreas. 

 

Barragens

As pequenas barragens clandestinas também colaboram para piorar a qualidade da água. Quando o rio é represado, muitas árvores morrem, formando o chamado “paliteiro” – um conjunto de troncos secos.


“Quando acontecem rompimentos [das barragens], desce água, lama e muitos peixes rio abaixo de uma vez só, causando impacto ambiental”, conta Zuanon. 

Estradas

O fenômeno dos paliteiros se repete se as estradas são feitas sem planejamento. Quando é necessário passar por um igarapé, o terreno é aterrado, formando uma barragem. “Na BR-174 [que liga Manaus a Pacaraima, em Roraima] esse é o quadro mais comum. De um lado fica um lago com paliteiro, e no outro um igarapé extremamente assoreado.” 

Garimpos

Em locais isolados, onde muitas vezes não há cidades, estradas ou desmatamentos, os igarapés sofrem com os garimpos clandestinos. Para obter ouro, as árvores e a terra são removidas. Muita lama é devolvida ao rio, e sobram buracos a céu aberto. “Além do mercúrio acumulado, o garimpo descaracteriza completamente o igarapé”, afirma o biólogo do Inpa.

 

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