26/05/09 - 06h55 - Atualizado em 29/05/09 - 17h45

Onça apreendida no AM não pode voltar à natureza e não encontra lar definitivo

Shiva chegou ainda filhote ao Ibama e não aprendeu a caçar.
Há mais de dois anos, o instituto busca um lugar para o animal.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Uma onça-parda de dois anos e meio que vive no Centro de Triagem de Animais Silvestres do Ibama em Manaus é exemplo de um problema comum entre bichos apreendidos pela instituição. Batizado pelos tratadores de Shiva, que é macho, chegou ainda pequeno ao órgão ambiental, e, por isso, não aprendeu a viver solto na natureza.

 

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Segundo Carlos Abrahão, veterinário responsável pelo núcleo de fauna silvestre do Ibama, existem treinamentos que permitiriam readaptar o animal à vida selvagem, mas são tão caros e demorados que raramente são aplicados, mesmo em países ricos. “Os custo para reintroduzi-lo é muito alto. Ele está fadado à vida em cativeiro. Veio como filhote e nunca aprendeu a caçar”, diz Abrahão.

 

Foto: Divulgação/Ibama

O felino tem entre 25 e 30 quilos, mede 1 metro de comprimento (sem a cauda) e devora 2 quilos de carne por dia. (Foto: Divulgação/Ibama)

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Por outro lado, o centro de triagem tampouco é pensado para ser o lar definitivo dos animais. O Ibama tenta encaminhá-los para zoológicos ou criadouros autorizados com instalações adequadas. “Temos poucas instituições que podem recebê-lo legalmente”, conta Abrahão. E a maioria deles fica no centro-sul do país, distante de Manaus.

 

O custo para a transferência, que precisa ser feita de avião, é alto. Além disso, a onça-parda existe em todo o país e, por isso, não há tantos locais interessados em receber espécimes de longe.

Em março, outra onça em situação semelhante à de Shiva no Cetas de Manaus, Krishna, foi levada para um criadouro particular em Santa Rita do Passa Quatro, no estado de São Paulo, em um avião da Força Aérea Brasileira (FAB). As duas onças foram encontradas quando ainda tinham poucos meses.

 

Abrahão não sabe dizer o que aconteceu com as mães das duas onças-pardas. Ele aponta, no entanto, que é comum, em casos como este, que caçadores matem a mãe, encontrem os filhotes e fiquem com pena de matá-los também.

 

Também são comuns os casos em que as pessoas levam os filhotes para casa, mas não conseguem mantê-los quando adultos, já que não podem ser domesticados. "O animal vai crescendo e fica agressivo porque é selvagem", explica o veterinário do Ibama. O custo para manter uma onça como Shiva também é alto, já que chega a comer 2 quilos de carne ao dia.

 

Foto: Ibama/Divulgação

Shiva tem pouco mais de dois anos e não saberia se virar sozinho na selva. (Foto: Ibama/Divulgação)

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