05/06/09 - 15h06 - Atualizado em 05/06/09 - 15h21

ONGs lançam alerta para 'desmonte da política ambiental'

Elas reclamam de leis que afrouxam regras ambientais.
Globo Amazônia explica as principais reivindicações.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Um manifesto assinado por 23 ONGs faz um protesto contra leis ambientais alteradas nos últimos meses. Assinado pelas maiores organizações ambientais brasileiras, como o Greenpeace, WWF e Instituto Socioambiental, o documento foi lançado nesta quarta-feira (4) logo após a aprovação, no Senado, da Medida Provisória que regulariza terras na Amazônia.

“É sim momento de repúdio à tentativa de desmonte do arcabouço legal e administrativo de proteção ao meio ambiente arduamente construído pela sociedade nas últimas décadas”, diz o manifesto.

 

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Foto: oreira Mariz/Agência Senado

Senadores tentam chegar a um acordo durante votação da 'MP da Amazônia'. (Foto: oreira Mariz/Agência Senado )

O Globo Amazônia preparou um resumo para mostrar quais são as decisões ambientais mais problemáticas, segundo as ONGs:

 

Crimes ambientais

Em julho de 2008, o governo federal lançou a Lei de Crimes ambientais, mas voltou atrás por causa de pressões do setor agropecuário. Uma nova lei, mais branda, foi lançada no final do ano.

 

Grutas e cavernas

Em janeiro de 2009, um decreto diminuiu a proteção sobre cavernas e grutas brasileiras.

Carros poluentes

No final de 2008, foi diminuído o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos carros brasileiros. Segundo os ambientalistas, o governo deveria ter exigido uma contrapartida ambiental das montadoras, como obrigar que os carros gastassem menos combustível. 

Terras na Amazônia

Em fevereiro, o governo lançou a Medida Provisória 458, que regulariza terras na Amazônia. Segundo as ONGs, a lei pode favorecer quem desmatou ou roubou terras públicas. A MP já foi aprovada pelo Congresso e aguarda sanção do presidente Lula. 

Estradas sem licença

Outra Medida Provisória, a MP 452, criava o Fundo Soberano. Dentro da nova lei, um dispositivo permitia que rodovias fossem reformadas sem licenciamento ambiental. Como o Congresso demorou para votar a MP, ela acabou expirando e caindo.

Menos mata ciliar

Em Santa Catarina, uma lei estadual diminuiu a área obrigatória de preservação na margem dos rios, a chamada Área de Proteção Permanente. No Congresso, um grupo de parlamentares quer aprovar leis semelhantes. 

Compensações ambientais

Um decreto aprovado recentemente estipula um teto de 0,5% para a cobrança de compensações ambientais em grandes empreendimentos. A porcentagem é aplicada ao valor total da obra. Segundo as ONGs, isso pode fazer com que piore a qualidade ambiental dos grandes projetos.

Parques e reservas empacados

As ONGs também cobram a criação de parques e reservas. Segundo eles, há um ano não são criadas novas unidades de conservação federais, e a instalação de nove delas está parada na Casa Civil.

 

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