Um novo tijolo inventado pelo Inpa (Instituto Nacional de
Pesquisas da Amazônia) não utiliza barro em sua composição. No
lugar da argila, são usados restos de casca de coco, de
castanha-do-pará e de tucumã, que costumam ser descartados no
processamento dessas frutas.
Segundo o pesquisador Jadir Rocha, da área de
recursos florestais do Inpa, o novo tijolo é mais resistente que
o original, com a vantagem de oferecer mais proteção contra o
calor amazônico. “Como as matérias-primas são de vegetais,
proporcionam um ambiente muito agradável, faça chuva ou faça
sol”, afirma.
| Matéria-prima | Cascas de coco, “ouriços” de castanha-do-pará, caroços de tucumã e resina. |
| Durabilidade | É resistente a cupim, a chuva e é mais duro do que o tijolo comum. |
| Aplicação | Em edifícios baixos, pois é compacto e tem peso parecido com o tijolo comum. |
| Vantagens materiais | Proporciona mais proteção contra o calor amazônico e não utiliza cimento. |
| Vantagens ecológicas | Recicla restos de frutas que iriam para o lixo e não precisa ser cozido, evitando o consumo de lenha. Além disso, evita a mineração de argila, que é prejudicial ao meio ambiente. |
| Desvantagens | Empresas terão que negociar autorização do Inpa para produzir o novo tijolo. Além disso, a resina utilizada para dar liga aos pedaços vegetais é derivada de petróleo. |
| Custo | Semelhante ao tijolo de barro. |
Para conseguir agrupar as cascas duras das frutas e formar um bloco compacto, os restos são triturados, misturados com uma resina e prensados. Além de reciclar esses materiais, o tijolo vegetal tem a vantagem ecológica de não precisar ser cozido, evitando que árvores sejam cortadas para alimentar fornos.
Casca que envolve as castanhas-do-pará, conhecida como ouriço, é um dos principais componentes do tijolo vegetal. Como a invenção ainda não foi patenteada, o Inpe não pode divulgar fotos do novo tijolo. (Foto: Inpa/Divulgação)
Outra vantagem enumerada por Rocha é que o novo tijolo dispensa cimento, pois tem um encaixe que une as peças. Água e cupim, graças à resina utilizada para colagem, também não serão problema. “Utilizamos resina fenólica, uma cola irreversível. Ela é derivada de petróleo. O ideal seria que tivéssemos resinas naturais, mas infelizmente as pesquisas ainda estão começando”, diz o pesquisador do Inpa.
Madeira artificial
Uma outra novidade apresentada pelo laboratório de Rocha é uma chapa resistente fabricada com folhas. Ela serve para fazer móveis e divisórias, substituindo as chapas de aglomerado, feitas de serragem.
Chapa feita de folhas pode substituir o aglomerado, feito de serragem e usado na fabricação de móveis e divisórias. (Foto: Inpa/Divulgação)
“As folhas passam por um processo de trituração e depois são
secas e juntadas com resina. Para dar mais sustentação,
colocamos mantas de fibras de vidro. Futuramente, vamos
substituí-las por um vegetal, mas isso ainda é segredo industrial."
As chapas de folhas e os tijolos vegetais ainda
não são produzidos comercialmente, e estão sendo patenteados
pelo Inpa. Para que indústrias possam fabricar os produtos, o
instituto conta com um setor especializado em vender tecnologias
desenvolvidas lá.
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