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O Congresso do Peru suspendeu temporariamente nesta quarta-feira (10)as leis de investimento na Amazônia que desataram violentos protestos de indígenas, com dezenas de mortos. Os nativos, porém, continuarão se manifestando para conseguir a revogação total.
Os piores protestos enfrentados pelo governo de
Alan García começaram no início de abril e chegaram a afetar o
fornecimento de petróleo. Os índios amazônicos rejeitam as leis
com o argumento de que elas os "despojam" de seus
territórios, ricos em recursos naturais.
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Amazônia peruana
A suspensão das normas foi aprovada por
parlamentares de alguns grupos políticos. No entanto, os
legisladores do opositor Partido Nacionalista, que também pede a
eliminação das leis, se mostraram descontentes com a decisão.
O congresso, que não detalhou o período de
suspensão das leis, tenta realizar "modificações
substanciais" nas normas em consenso com os grupos
indígenas e com representantes do governo.
"Estamos de acordo com a suspensão. Ceder em
nossa posição não é ceder em nossos princípios. Não queremos
mais enfrentamentos", disse a parlamentar e filha do
ex-presidente Alberto Fujimori, Keiko Fujimori.
Em Yurimaguas, cerca de 1.400 quilômetros a
nordeste de Lima, os índios bloquearam novamente a principal
estrada que abastece o povoado. Na terça-feira, o caminho foi
aberto em uma trégua temporária após os enfrentamentos do fim de
semana, que deixaram ao menos 33 mortos.
"Estamos nos preparando para a greve
amazônica e esperamos apoiá-la contundentemente", disse
Isidro Lancha, cujo rosto estava pintado de vermelho, junto a
outras centenas de indígenas posicionados na estrada. O protesto
foi convocado para a quinta-feira.
Milhares de nativos de três regiões amazônicas se
manifestam há mais de 60 dias contra leis que abrem a Amazônia
para o investimento de empresas estrangeiras.
"Nós não queremos a suspensão, queremos a revogação de
todas as leis", afirmou Denis Pasanache, porta-voz do
comitê de luta dos povos amazônicos de Yurimaguas.
Asilo
García, que se mantinha firme no empenho de atrair
investidores estrangeiros para a Amazônia, afirmou mais cedo que
o governo não cederá às "chantagens" dos indígenas.
"É importante escutar opiniões, mas o país
não deve em nenhum caso ceder a chantagem nem a posições de
força", disse García a jornalistas após a inspeção de obras
de infraestrutura em um bairro de Lima.
O líder dos indígenas amazônicos Alberto Pizango
saiu da frente de luta e recebeu na terça-feira asilo político
da Nicarágua, após ser acusado pelo governo de sedição,
conspiração e rebelião. Ele está refugiado na embaixada do país
à espera de um salvo-conduto.
García voltou a insinuar que o governo esquerdista
da Bolívia estaria por trás do protesto, que aconteceu após um
encontro indígena continental realizado na cidade de Puno, no
sul do Peru, onde segundo ele foram orquestradas as manifestações.
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