Fronteira do Brasil com o Peru. Com mais 260 km de asfaltamento, rota para Cusco estará totalmente pavimentada. (Foto: Reprodução TV Globo)
Afastado dos grandes centros turísticos do Brasil, como o Rio de Janeiro, São Paulo e o litoral nordestino, o Acre aposta na proximidade com o Peru para atrair visitantes.
O asfaltamento da Rodovia Transoceânica,
que vai ligar Rio Branco com Cusco e o litoral peruano vai
aumentar a chegada de viajantes ao estado, acredita o
secretário de turismo Cassiano Marques. “A proposta é criar um fluxo
turístico internacional para que as pessoas possam conhecer
a Amazônia, os Andes e o Pacífico numa só viagem”, explica.
Saindo do Acre, a primeira cidade peruana com
maior estrutura para receber os turistas é Puerto Maldonado,
que, segundo Marques, é um destino internacional consolidado de
ecoturismo. “No ano passado, recebeu 208 mil turistas”, cita. No
entanto, o maior polo turístico da rota ainda é Cusco, cidade
histórica que tem Machu Picchu nos seus arredores. Falta o
asfaltamento de 260 quilômetros para que a ligação da cidade
andina com a capital acreana esteja totalmente pavimentada. As
obras estão em andamento no Peru. Do lado brasileiro, a rodovia
já está totalmente asfaltada.
A inauguração de uma linha diária de ônibus entre
Rio Branco e Puerto Maldonado, no final de maio, vem
incrementando o intercâmbio de visitantes entre os Peru e Brasil
pela rota. “Temos uma média de cem pessoas fazendo imigração
diariamente na fronteira e identificamos 49 nacionalidades
distintas que cruzaram por ali ”, diz Marques.
Pousada ecológica em Xapuri fica dentro de seringal. (Foto: Divulgação)
O secretário de Turismo acreano explica que o estado oferece aos visitantes atrações diferentes de outros destinos amazônicos mais conhecidos, como o Amazonas. “Aqui o turismo não é de contemplação, mas de vivência. É um turismo socioambiental vivencial”, diz.
A proposta é que o viajante tome contato com a a história da
região, marcada por eventos como a Revolução Acreana e a luta
recente dos seringueiros. “Somos o único estado que brigou para
ser parte do Brasil”, destaca Marques, em referência ao fato de
que os acreanos pegaram em armas para que seu território saísse
do controle da Bolívia, há pouco mais de um século.
Tomar contato com a história de Chico Mendes e a
vida nos seringais é outra atração do estado. No Seringal
Cachoeira, em Xapuri (a 188 km de Rio Branco), é possível
conhecer o processo da extração de borracha e a família do líder
seringueiro, que continua vivendo por lá. Dentro da floresta há
uma pousada ecológica construída com apoio do governo e
explorada pelas famílias que vivem também do extrativismo.
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