01/07/09 - 12h47 - Atualizado em 01/07/09 - 14h04

Sítio arqueológico milenar é descoberto durante construção de escola no AP

Mais de cem peças de cerâmica foram encontradas em Laranjal do Jari.
Material pertencia a cemitério indígena, afirma pesquisador.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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O que seria uma simples terraplanagem para construir uma escola se transformou em descoberta científica em Laranjal do Jari, no Amapá. Durante a construção de uma escola na periferia da cidade, trabalhadores encontraram um cemitério indígena com dezenas de peças de cerâmica que podem ter mais de mil anos.

 

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Foto: Gerência de Pesquisa Arqueológica - IEPA/Divulgação

Descoberta de cemitério milenar aconteceu durante terraplanagem para construção de escola na periferia de Laranjal do Jari (AP). (Foto: Gerência de Pesquisa Arqueológica - IEPA/Divulgação)

 

Logo após a descoberta, o arqueólogo João Saldanha foi chamado para fazer o resgate do material. “Era um grande sítio arqueológico, que tinha muito material. Havia 50 urnas [funerárias], e contabilizamos em torno de cem peças [de cerâmica] inteiras”, conta o cientista, que trabalha para o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa). Cada urna funerária encontrada é formada por vários vasos diferentes.

 

Foto: Gerência de Pesquisa Arqueológica - IEPA/Divulgação

Arqueólogo Pedro Saldanha foi chamado para resgatar peças de cerâmica. (Foto: Gerência de Pesquisa Arqueológica - IEPA/Divulgação)

Segundo Saldanha, os desenhos gravados na cerâmica indicam a presença de um povo que ocupou também a Guiana Francesa e o Suriname há cerca de 1.200 anos. “Há pinturas de formas humanas e de animais. Uma grande aldeia, intensamente ocupada, existia ali”. 

Parem as máquinas

Desde a descoberta, ocorrida em maio, a construção da escola está parada. Saldanha terminou as escavações em 20 de junho, e imagina que em breve a obra poderá continuar, pois todas as peças que estavam sob a construção foram resgatadas.

 

Foto: Arqueólogo Pedro Saldanha

Cada urna funerária é formada por diversos vasos. No total, 50 conjuntos foram encontrados. (Foto: Gerência de Pesquisa Arqueológica - IEPA/Divulgação)

O restante do sítio arqueológico, que está fora da área da construção, será explorado mais tarde, segundo o pesquisador. “A ideia é que possamos fazer um sítio-escola, uma escavação para que os alunos aprendam como se trabalha a arqueologia”, explica.

 

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