02/07/09 - 10h10 - Atualizado em 02/07/09 - 10h10

Vila clandestina de garimpeiros atrapalha turismo no maior parque do Brasil

Montanhas do Tumucumaque tem área de 25 cidades de São Paulo.
Parque é usado como base para mineração de ouro na Guiana Francesa.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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O Parque Montanhas do Tumucumaque é o maior do Brasil, e também um dos mais isolados. Foi criado em 2002 para se transformar em destino turístico, mas sua atração principal é uma pequena vila, conhecida por Ilha Bela, usada como acampamento-base para os garimpeiros brasileiros que exploram ouro na Guiana Francesa.

 

Foto: ICMBio/Divulgação

Comunidade de Ilha Bela fica na divisa com a Guiana Francesa. (Foto: ICMBio/Divulgação)

Com uma área de 38 mil km² – o equivalente a 25 vezes o município de São Paulo –, o parque fica no extremo norte do país, no Amapá, fazendo divisa com o território que pertence à França. Para cuidar de toda essa terra, totalmente preservada, há cinco pessoas. Eles fazem viagens periódicas à região, já que o parque não tem sede.

 

Foto: ICMBio/Divulgação

Como não há sede no parque, funcionários têm que montar acampamentos na selva quando visitam a região. (Foto: ICMBio/Divulgação)

“Hoje, boa parte do nosso esforço está centrado na remoção de Ilha Bela”, conta Christoph Jaster, chefe da equipe. 

Vila distante

Dentro do parque há poucas minas de ouro, segundo Jaster. Os garimpeiros só criam coragem para explorar as terras brasileiras quando a cotação do metal está muito alta. O problema é a onda de crimes que andam junto com o garimpo ilegal. “É um sistema que traz doenças, violência, prostituição, tráfico”, explica.

As tentativas de desmantelar a pequena vila de Ilha Bela, que tem cerca de 200 habitantes, foram muitas. Em uma operação realizada em fevereiro, um gerador a diesel foi apreendido e precisou ser retirado de helicóptero. Seu dono cobrava entre 1 e 2,5 gramas de ouro por semana pela energia elétrica fornecida a cada casa. 

 

 

Foto: ICMBio/Divulgação

Combustível armazenado em vila clandestina é retirado pelo Exército. (Foto: ICMBio/Divulgação)

A dificuldade de acabar com a mineração ilegal se explica pelo isolamento do povoado. O acesso mais comum se faz a partir da Serra do Navio, no Amapá, de onde é necessário andar 90 quilômetros de barco para chegar à vila. “É completamente inacessível para padrões urbanos, mas não para caçadores ou garimpeiros”, diz o chefe do parque.

Com tudo longe e com metais preciosos brotando do chão, o comércio local é inflacionado. De acordo com Jaster, uma vaca ali pode valer 12 mil reais, enquanto um quilo de carne é trocado por um grama de ouro. “Ficar rico no garimpo é quase impossível. O garimpeiro é um ser à beira da miséria.” 

Ajuda francesa

A aposta do governo para tirar o parque dos garimpeiros e levá-lo aos turistas é a ajuda da França. No final de 2008, Lula e o presidente francês Nicolas Sarkozy assinaram um acordo de cooperação para o combate ao garimpo ilegal no Brasil e na Guiana Francesa. Também foram planejadas pesquisas conjuntas na região.

 

Foto: ICMBio/Divulgação

Rio Oiapoque divide o parque do país vizinho. Florestas ainda estão intactas. (Foto: ICMBio/Divulgação)

Para Jaster, a França também pode ser fonte de turistas. “Imaginamos que o parque amazônico [que fica do lado] da Guiana pode canalizar os visitantes vindos de fora, e esses reflexos serão sentidos pelo Tumucumaque”, pondera.

 

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