Quarenta anos de desmatamento, queimadas e rebanhos ilegais:
quase metade da floresta amazônica existente em Rondônia foi
devastada pelas mãos de garimpeiros, pecuaristas, grileiros. Nem
as áreas protegidas - e proibidas - escapam.
Entre os estados amazônicos, Rondônia é o que mais
sofreu com o desmatamento. Dados recentes do Instituto do Homem
e Meio Ambiente da Amazônia mostram que, entre agosto de 2007 e
agosto de 2008, a destruição da floresta aumentou cerca de 23%.
Ao todo, 38% da vegetação desapareceram. Depois das áreas
particulares, o desmatamento se concentra em unidades de
proteção permanente e reservas indígenas.
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A reportagem do Bom Dia Brasil foi até uma fazenda
dentro de uma reserva indígena. Quando se olha pela primeira
vez, a impressão que se tem é de que no local nunca existiu uma
árvore da Amazônia. O que era floresta, virou pasto.
Na Floresta Nacional do Bom Futuro, há muitas
clareiras. O avanço da pecuária desrespeita as regras do plano
de uso sustentável da terra. É uma disputa complicada, de pelo
menos duas décadas.
Em Alto Paraíso, a 200 quilômetros de Porto Velho
é possível encontrar gente simples, mas que não se intimida -
mesmo contrariando a lei. Vivem ali 3.500 mil famílias, como a
do agricultor Antônio Bernardes. Ele diz que comprou a terra de
um grileiro, sem saber que era proibido.
“Eu nunca tinha trabalhado na roça, mas vi uma
possibilidade de ter uma terra. Fui à casa desse rapaz que disse
que tinha terra para vender. Nunca ninguém veio falar que não
podia. Acho que no início, quando eu tinha comprado, se chegasse
e dissesse que não podia, eu sairia”, aponta o agricultor.
Mas nem todos foram enganados. “Achei que aqui era
uma terra da União, como eu acho que é até hoje”, diz Eliseu,
que mora há seis anos dentro da floresta nacional e não pretende
retirar as 200 cabeças de gado criadas em sua fazenda.
“Eu adquiri o direito de posse. Rondônia só tem
18% de área escriturada, o resto, 82%, não têm documento algum.
Em Rondônia é um problema sério isso”, justifica.
Derly trabalhou cinco anos na construção civil na
Espanha. Comprou de um grileiro uma pequena área invadida dentro
da floresta nacional. Ele corre o risco de perder todo o
dinheiro que economizou no exterior: “Comprei de um rapaz. Aqui
não tem escritura".
Uru-Eu-Wau-Wau
Não muito longe dali, um novo flagrante, agora na
Terra Indígena de Uru-Eu-Wau-Wau. A maior fazenda ilegal em
terras indígenas é de um empresário. “O dono mora em Ouro Preto.
É difícil ele vir aqui”, aponta um funcionário.
"Temos aqui uma relação dos assentados pelo
Incra, na década de 1980. Nessa relação percebemos que a
ocupação não é pelos assentados do Incra. Após a demarcação,
houve um esvaziamento. Servidores públicos, empresários da
região foram adquirindo os lotes. Temos aqui agente
penitenciário, funcionário do Ibama", diz o responsável
pelo setor do meio ambiente da Funai.
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São moradores que sabem como funciona o sistema e
que encontraram, primeiro na exploração da madeira, depois na
pecuária, uma forma de enriquecer.
"A pecuária é a cultura que mais prejudica a
floresta, porque faz o corte raso. Ela tem grandes extensões,
então ela tira toda a floresta, ela mata os animais, então ela
traz uma série de prejuízos à biodiversidade”, explica uma
representante da ONG Kanindé.
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