04/08/09 - 19h29 - Atualizado em 04/08/09 - 19h33

Juiz estadual manda prender coordenador de ação do Ibama no interior do Pará

Ordem não foi cumprida por causa de liminar da Justiça federal.
Funcionário se recusou a cancelar fiscalização em madeireira, diz Ibama.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Um juiz estadual do Pará expediu ordem de prisão contra Leslie Tavares, coordenador da operação Boi Pirata II, que está sendo executada pelo Ibama e outros órgãos federais no município de Novo Progresso (PA), um dos mais afetados pelo desmatamento na Amazônia.

O juiz havia determinado nesta segunda-feira (3) o cancelamento de todos os procedimentos da fiscalização em relação a uma madeireira local, incluindo multas ambientais e termo de embargo. Também havia ordenado a devolução de bens apreendidos pelos fiscais.

 

Tavares seria preso pelo descumprimento da ordem. No entanto, Antônio Carlos da Silva, delegado na cidade e encarregado de fazer a prisão disse que ela “não pode ser efetivada por eles [o Ibama] alegarem que a Justiça federal já havia anulado a decisão do juiz da comarca”.

 

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Na madrugada desta terça-feira (4), segundo informações do Ibama, o presidente do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região, desembargador Jirair Aram Meguerian, concedeu liminar ao instituto mantendo as sanções aplicadas durante a operação. Para o desembargador, a competência para julgar casos em que a União, entidade autárquica ou empresa pública federal sejam parte interessada é da Justiça federal.

O delegado Silva disse ao Globo Amazônia que aguarda uma definição sobre se Tavares deve ser preso ou não.

A operação Boi Pirata II, a exemplo da primeira com esse nome, realizada em 2008, visa coibir o desmatamento ilegal da floresta amazônica para criação de gado. O alvo principal da ação é uma fazenda dentro da Floresta Nacional do Jamanxim, que já está sob controle das forças federais, segundo informações do Ibama.

 

Foto: Ibama/Divulgação

Gado pirata flagrado em sobrevoo. (Foto: Ibama/Divulgação)

A floresta nacional tem 13 mil quilômetros quadrados, dos quais 11% foram desmatados até agora. Mais de cem homens do Ibama, da Polícia Militar do Pará, da Força Nacional de Segurança, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal estão na região. A Força Aérea também dá apoio à ação de fiscalização.

 
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