Organizações sociais questionaram, nesta quinta-feira (1º), as declarações do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, em relação à construção da usina de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará.
Na última terça-feira (29), Lobão disse que via "forças demoníacas" impedindo a realização de usinas hidrelétricas de grande porte no país. A declaração foi dada durante a abertura do 6º Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (Enase 2009), enquanto o ministro comentava as dificuldades enfrentadas para a obtenção de licenças ambientais para a construção de Belo Monte.
Em carta pública, a organização Movimento Xingu Vivo para Sempre,
que questiona a construção da usina, classifica a obra como
“nefasto projeto” e diz que o setor elétrico desrespeita os
povos indígenas e desdenha povos da Amazônia.
“Tratar aqueles que contestam o famigerado projeto
de Belo Monte, que diga-se de passagem estão lutando por sua
sobrevivência, de ‘forças demoníacas’ demonstra a que ponto o
setor elétrico brasileiro desdenha, despreza, desconsidera os
povos e comunidades da Bacia Amazônica”, diz a carta.
Obra polêmica
Apesar da resistência dos movimentos sociais, Edison Lobão
garante que o leilão para a construção da usina ocorrerá ainda
em 2009. A obra está estimada em aproximadamente 10 bilhões de
dólares, segundo cálculos preliminares do governo.
O projeto está previsto para entrar em operação
entre 2013 e 2014 e terá capacidade de ao menos 11 mil
megawatts. A usina é o maior projeto hidrelétrico do Brasil,
depois da binacional de Itaipu, uma parceria entre Brasil e
Paraguai, e é considerada pelo governo como fundamental para
garantir o crescimento do país nos próximos anos.
A obra, contudo, desperta polêmica por alagar área
bem preservada da Amazônia, ocupada por índios e ribeirinhos. As
audiências públicas para a construção da usina também são questionadas
pelo Ministério Público Federal.
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