Um grupo de 40 especialistas protocolou no Ibama um documento
questionando os estudos e a viabilidade da usina hidrelétrica de
Belo Monte, que pode ser construída no Rio Xingu, no Pará. O
empreendimento está previsto para ser oferecido em leilão em
novembro.
No parecer, estudiosos classificam a possível
hidrelétrica como “uma intervenção de obras civis sobre um
monumento da biodiversidade”, e avaliam que a movimentação de
terras para a construção da obra seria equivalente às escavações
do Canal do Panamá, com 200 milhões de m³ de terra e pedras remexidas.
Para gerar energia será represada a maior parte do Rio Xingu em um trecho conhecido como Volta Grande, no Pará. Canais levarão a água até uma casa de máquinas, enquanto uma porção do rio ficará com o fluxo de água reduzido. (Foto: EIA-RIMA/Montagem Globo Amazônia)
A maior preocupação dos especialistas são os impactos sobre
plantas, animais e populações indígenas que habitam um trecho do
rio conhecido como Volta Grande do Xingu, onde se pretende
construir a usina.
Os acadêmicos também afirmam que há falhas no
estudo de impactos ambientais da obra, onde haveria exageros na
previsão de geração de energia e ao mesmo tempo números
inferiores à realidade em relação ao impacto às populações
vizinhas.
O estudo, protocolado no Ibama em 1º de outubro e
divulgado nesta segunda-feira (12), foi realizado por
pesquisadores voluntários de diversas instituições de pesquisa
brasileiras, como o Inpa (instituto Nacional de Pesquisas da
Amazônia), a Universidade Federal do Pará e o Museu Paraense
Emílio Goeldi. Grandes ONGs brasileiras, como o Instituto Sócio
Ambiental (ISA) e o WWF também apoiaram a confecção do documento.
Plano antigo
Os primeiros estudos para a construção de uma hidrelétrica no Rio
Xingu são de 1980. Na última concepção do projeto, foi planejada
uma barragem e canais que desviam parte leito do rio e levam a
água para uma casa de força. Por conta disso, um pedaço do curso
d’água de cerca de 100 km ficará mais seco.
A obra prevê a capacidade de geração de 4.719 MW
no período seco e 11.181 MW com a usina operando em plena
capacidade. Para se ter uma ideia, a usina de Itaipu – a maior
do Brasil – tem capacidade para gerar 14 mil MW. Os
reservatórios, incluindo os canais, ocuparão uma área de 516
km², o equivalente a um terço do município de São Paulo.
Leia na íntegra o estudo protocolado no Ibama
Veja o Estudo de Impacto Ambiental de Belo Monte
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