Para driblar a escassez de pedra britada nas construções de
Manaus, um grupo de engenheiros da Universidade Federal do
Amazonas (Ufam) está estudando a utilização de argila cozida
para fazer concreto. A ideia é substituir os seixos – pedras
arredondadas retiradas do fundo dos rios –, cuja extração tem
causado destruição ambiental nos igarapés da região.
“As principais capitais do Norte têm dificuldade
em conseguir pedra para construção. Elas estão localizadas em
uma bacia sedimentar, e não temos muito afloramento de material
rochoso”, explica o pesquisador Raimundo Pereira de Vasconcelos,
coordenador do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Ufam.
(Foto: Marcelo Terraza/stock.schng) |
A brita (pedra quebrada), é o material mais usado para fazer concreto, mas é difícil de ser encontrada na planície amazônica. (Foto: Marcelo Terraza/stock.schng) |
(Foto: José Reynaldo da Fonseca/ Wikimedia Commons) |
Como alternativa, usa-se muito o seixo, que é retirado do fundo dos rios, mas causa muitos problemas ambientais. |
(Foto: Edisley Cabral-Ufam / Divulgação) |
Para resolver o problema, pesquisadores inventaram pedras artificiais de argila calcinada (cozida), que é leve e resistente. |
Tentando suprir essa demanda, o engenheiro Edisley Cabral, aluno
de mestrado de Vasconcelos, inventou pequenos bloquinhos de
cerâmica que podem ser usadas como pedra artificial na
fabricação do concreto. “Produziu-se um concreto que pode ser
usado até para o levantamento de estruturas, por causa de sua
resistência”, conta o cientista.
A fabricação da pedra artificial é parecida com a
de tijolos. Com argila mole, são feitos pequenos cubinhos, com
tamanho entre cinco e 12 milímetros – dimensão semelhante à das
pedras retiradas dos rios. Depois disso, o material é levado a
fornos de 850 graus, onde são cozidos. O resultado é um material
resistente e leve.
Resistência do concreto feito com argila foi testado em laboratório. Agora, pesquisadores tentam reproduzi-lo industrialmente. (Foto: Edisley Cabral-Ufam/Divulgação)
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Para que possa ser utilizado comercialmente, o material agora passa por testes em uma indústria de tijolos de Iranduba. “Assim podemos comparar com a pesquisa feita em laboratório”, diz Vasconcelos. “Não acredito que saia mais caro [do que as pedras usadas hoje]. O seixo está ficando cada vez mais caro porque há uma necessidade muito grande, e a extração está sendo feita cada vez mais longe da cidade.”
Impacto ambiental
O pesquisador da Ufam alerta que a extração de argila também é
danosa ao meio ambiente, mas em proporção bem inferior à
retirada do seixo dos rios.
Para que a fabricação da pedra artificial gere
menos impacto ambiental, o engenheiro também conta com a
conclusão do gasoduto Urucu-Manaus. A obra permitirá que as
olarias substituam a lenha pelo gás natural em seus fornos.
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