Bonitas e pouco conhecidas, as arraias de água doce, comuns na
Amazônia, figuram entre os animais venenosos que mais causam
acidentes na região oeste do Pará. Segundo o Instituto Butantã,
elas lideram o ranking de picadas junto com jararacas e
escorpiões – animais perigosos já bem conhecidos em outras
regiões brasileiras.
“A arraia tem um ferrão serrilhado na cauda, que
entra fácil [na pele] e sai rasgando, machuca bastante. O ferrão
é coberto por um muco, com um veneno muito dolorido. Além do
veneno, há o problema da sujeira da água, que pode causar
infecção. São três problemas diferentes”, explica o biólogo
Giuseppe Puorto, diretor do museu biológico do Instituto
Butantã. Segundo o pesquisador, os acidentes são sazonais e
ocorrem na época seca, pois as arraias costumam viver na areia,
no fundo dos rios.
(Foto: Stan Shebs/Wikimedia Commons) |
Arraia-de-fogo
Vive no fundo dos rios e tem um ferrão serrilhado e pontudo no rabo. A ferroada causa um corte profundo, com sangramento, dor, inchaço e infecção. Pode haver apodrecimento da pele. Se alguém for ferido, o ideal é lavar o local da picada com água morna, para diminuir a dor. Deve-se procurar um posto de saúde para fazer um curativo e verificar a necessidade de uso de remédios para diminuir a dor e a infecção. Para evitar acidentes, é necessário caminhar com cuidado na água, arrastando os pés. Ao descer de barcos, é bom cutucar o fundo do rio com um pau, para espantar o peixe. |
(Foto: Instituto Butantan/Divulgação) |
Escorpião Preto
|
(Foto: Al Coritz/Wikimedia Commons) |
Jararaca Tem 1,5 m e é encontrada em várzeas, terra firme e às vezes até dentro das casas. A picada causa dor e inchaço, além de manchas roxas e bolhas. Pode haver infecção e apodrecimento da pele no local da picada. Em caso de acidente, é necessário lavar bem o local atingido com água e sabão. A pessoa deve ficar calma, com braços ou pernas levantados. A vítima deve ser levada a um pronto-socorro ou hospital para tomar soro antiofídico. O melhor jeito de evitar acidentes é andar calçado e evitar de colocar a mão em locais em que a cobra pode viver, como buracos, capinzais, pedras ou montes de madeira. Para afastá-las de perto de casa, deve-se evitar lixo e ratos. |
‘Zona do veneno’
Para pesquisar e conseguir evitar acidentes com esses tipos de
animais, o Butantan se prepara para instalar uma base avançada
na Amazônia. A região escolhida fica em Belterra (PA), na
confluência entre os rios Tapajós e Amazonas, entre Belém e
Manaus. “A região de Santarém, por uma questão evolutiva, tem
praticamente todos os animais peçonhentos brasileiros”, conta
Puorto.
Leia mais:
Instituto Butantan pretende abrir 'filial'
na Amazônia
Nova base do Butantan será instalada em Belterra, perto de Santarém. Essa é uma das regiões brasileiras que mais concentra espécies diferentes de animais venenosos, segundo o instituto. (Foto: Arte G1)
Ainda que não tenha sede física, o instituto já está presente na
região. Na última terça-feira (20), pesquisadores começaram o
quarto encontro científico “Butantan Amazônia”, em que são
promovidas palestras e discussões sobre o estudo de animais
peçonhentos no Pará.
O foco dos cientistas, além dos profissionais que
trabalham em hospitais e de universidades, é a população
ribeirinha. “Quem vive no campo são os mais atingidos por
acidentes”, diz o biólogo do Butantan.
Para dialogar com quem mora na floresta, o
instituto já publicou uma cartilha com orientações voltadas para
esse público. Ali se recomenda, por exemplo, que galinhas sejam
criadas próximas às casas para afugentar escorpiões e cobras, e
que gaviões e mucuras (também chamados de gambás) sejam
protegidos, pois são predadores naturais das serpentes.
Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias ou
ideias para melhorar a proteção da floresta, entre em
contato com o Globo Amazônia pelo e-mail
globoamazonia@globo.com
. Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail, telefone e, se
possível, fotos ou vídeos.
Siga o Globo Amazônia no Twitter
Leia mais notícias de Amazônia
Veja as últimas notícias e proteste contra queimadas e desmatamento.