Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Pará lidera o número de queimadas na Amazônia. Já são quase nove mil focos registrados este ano. Em muitos casos, fazendeiros e assentados ateiam fogo na mata para aumentar as áreas de pasto e de plantio.
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Quando amanhece, as nuvens são de poeira. Pelo
interior do Pará, os madeireiros não encontram dificuldades para
transportar as toras retiradas da floresta. Não há fiscalização
alguma.
Quando passam pelos postos do governo do Pará, os
caminhões não são parados. Muitos não têm nem placas. Um
motorista disse que tinha documentação da carga, mas o fiscal
não apareceu: “Quem vai fiscalizar? Não tem ninguém aí. Vou
embora”.
Quem denuncia o desmatamento costuma ser ameaçado
de morte. É o que acontece em um conjunto de fazendas conhecidas
como "Chumbo Grosso". É uma área de conflito, invadida
por famílias que esperam pela reforma agrária.
Madeireiros e fazendeiros tentam expulsar os
agricultores para ficar com as terras e a mata. Um lavrador se
recusou a sair e quase foi morto por pistoleiros. “Quando
chegaram, chegaram atirando e eu me escondi. Eles falavam que
iam me matar, iam arrancar a minha cabeça”, relata.
Segundo a associação de moradores, pelo menos 230
famílias vivem na área e o clima de tensão é permanente. Durante
a noite, parte da madeira é retirada ilegalmente da fazenda. Os
caminhões utilizam uma estrada rural para levar as toras até as
serrarias.
A equipe de reportagem foi até o local também de
dia e o transporte de madeira continuava. Era tanta pressa para
retirar as toras que um caminhão capotou. Os ladrões de madeira
agem tranquilamente também nos rios da região. Em Paragominas,
no nordeste do Pará, chegaram a abrir portos clandestinos para
descarregar as toras trazidas de outros municípios. Depois, tudo
é transportado em carretas até as madeireiras da região.
A promotora Ana Maria Magalhães de Carvalho quer
responsabilizar os secretários de Meio Ambiente e de Segurança
Pública do Pará por este e
outros casos de crimes
contra o meio ambiente em áreas invadidas. “A omissão é muito
grande. Digo que eles não levam a sério o problema ambiental,
não levam a sério”, aponta.
Os secretários não se manifestaram. Já o Ibama diz
que as operações têm contribuído para a redução no desmatamento,
mas o tamanho do estado dificulta a fiscalização.
Segundo o Inpe, o Pará lidera o desmatamento na
Amazônia. Entre 2001 e 2008, foram destruídos 46 mil quilômetros
quadrados de florestas, uma área maior que o estado do Rio de Janeiro.
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