Alimentos comuns no dia-a-dia de muitos brasileiros, como a
alface, o tomate e a batata inglesa, não costumam fazer parte
das refeições no Amazonas. Essas plantas tradicionais,
consumidas na maior parte do Brasil, foram trazidas de outros
países e se adaptaram bem ao clima e à terra de diversas regiões
do país, como o Sul e o Sudeste. No Amazonas, entretanto, elas
não obtiveram o mesmo sucesso.
O clima quente e úmido da região amazônica e o
solo, ácido e carente em nutrientes, impossibilitam certos
cultivos. Além das condições inadequadas para o plantio, os
moradores do Amazonas não desenvolveram a tradição de consumir
essas hortaliças convencionais.
O feijão-macuco é nativo da Amazônia. (Foto: Valdely Kinupp/Arquivo pessoal)
“Os povos indígenas desconhecem essas plantas, já que muitas
foram trazidas de fora do país. Por isso, a população do
Amazonas não se acostumou a comer esses alimentos”, explica o
professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia
do Amazonas (IFAM), Valdely Kinupp.
A ausência de certas culturas pode ser compensada
por plantas menos conhecidas ao redor do país, as chamadas
hortaliças-não convencionais. Muitas dessas hortaliças são
nativas da Amazônia e aclimatadas ao clima e ao solo da região.
São exemplos de espécies amazônicas a ária (Calathea
allouia), feijão-macuco (Pachyrhizus tuberosus),
taioba-branca (Xanthosoma sagittifolium) e araruta
(Maranta arundinacea).
A taioba tem alto valor nutricional. (Foto: Valdely Kinupp/Arquivo pessoal)
Segundo o professor Valdely, as hortaliças não-convencionais
amazônicas são fundamentais para complementar a dieta alimentar
na região, pois apresentam ainda mais nutrientes que as plantas
convencionais.
“O caboclo consome muito amido, presente no arroz,
na farinha e no macarrão. As hortaliças não-convencionais são
ricas em zinco, manganês, ferro e cálcio, ausentes em boa parte
da alimentação regional”, diz.
Outra vantagem das hortaliças alternativas da
Amazônia é que elas podem ser plantadas em espaços onde já
existem árvores frutíferas, sem a necessidade de desmatar novas
áreas. Essa forma de agricultura ajuda, portanto, a desenvolver
a economia da região de forma sustentável. O cultivo de
hortaliças não-convencionais também é uma maneira de aproveitar
a biodiversidade brasileira, segundo Valdely.
A ária é um exemplo de hortaliça não-convencional. (Foto: Valdely Kinupp/Arquivo pessoal)
“Se você viaja pelo Brasil, boa parte do que a gente consome vem
de fora. Nós falamos em biodiversidade, mas, do ponto de vista
alimentício, a gente não cria nossas próprias espécies. A
cultura dessas hortaliças alternativas é uma forma de valorizar
nossa riqueza nativa”, diz Valdely Kinupp.
Quem quiser conhecer de perto as hortaliças
não-convencionais pode visitar o Jardim Botânico Adolpho Ducke,
em Manaus. O endereço é Avenida Uirapuru, Bairro Cidade de Deus,
Manaus (AM). O parque é aberto de terça-feira a domingo, das 8
às 16 horas.
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