Uma atividade letiva de um curso de pós-graduação acabou virando uma surpresa arqueológica no Amapá. Durante aula para aprender técnicas de pesquisa promovida pela Universidade Estadual do Amapá (Ueap), alunos descobriram no município de Macapá, em plena zona urbana, quatro urnas funerárias em estilo marajoara.
Até a descoberta, não havia notícia de peças marajoaras no Amapá. (Foto: Secom AP/Divulgação)
O achado aconteceu num cemitério indígena de cerca de mil anos dentro do campus da Universidade Federal do Amapá. Há cerca de um milênio, acontecia também, na outra margem do Rio Amazonas, o auge da cultura marajoara.
Conforme explica João Saldanha, arqueólogo que trabalha para o Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa) e coordena o curso da Ueap, a descoberta, que aconteceu este mês, é importante porque até então se acreditava que o estilo marajoara tinha ficado restrito ao arquipélago de Marajó, no Pará.
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Achado aconteceu durante atividade acadêmica. (Foto: Secom AP/Divulgação)
A cerâmica marajoara é famosa por seus desenhos e grafismos característicos. Saldanha acredita que o mais provável é que os habitantes do Amapá pré-colombiano tenham sido influenciados pelo estilo e tenham adotado sua estética, e não que os marajoaras tenham ocupado a região de Macapá em algum momento.
O arqueólogo destaca que mais urnas marajoaras podem ser encontradas no cemitério, já que, até o momento, apenas 100 metros quadrados de um total de cerca de 10 mil foram escavados. “Devemos ter uns 2 mil enterramentos ali”, calcula Saldanha. A ideia é que os estudantes, ao longos dos anos, vão escavando o sítio enquanto aprendem a profissão de arqueólogo.
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