31/07/10 - 06h55 - Atualizado em 02/08/10 - 10h54

Após 21 anos sem expor, fotógrafo Paulo Santos inaugura mostra no Pará

Paraense tem mais de 30 anos de profissão; confira galeria de imagens.
Exposição começa em Belém, mas deve passar por Brasília e SP.

Lucas Frasão Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Para clicar a Amazônia, o fotógrafo Paulo Santos desceu mais de cem metros no subsolo em um garimpo, mergulhou em busca de toras de madeira transportadas em rios e pegou uma carona de avião de última hora, quando morreu Dorothy Stang. Agora, ele inaugura sua primeira exposição de imagens sobre a região, depois de 21 anos sem expor. 

 

Foto: Paulo Santos/Divulgação

Índios tukanos em São Gabriel da Cachoeira (AM). (Foto: Paulo Santos/Divulgação)

 

A mostra "Amazônia, estradas da última fronteira" tem estreia marcada para o próximo dia 5 no Museu Histórico do Pará, em Belém, e resgata parte das fotografias colecionadas em mais de 30 anos de profissão. Até o fim do ano, a exposição também deverá passar por São Paulo e Brasília, além de incluir o lançamento de três livros com fotografias da Amazônia.

 

Confira mais fotos na galeria

Nascido em Belém, Santos explica que a exposição pretende dar aspecto documental à realidade da Amazônia.

 

"Um peão que mora no interior da mata, por exemplo, não come se não derrubar um pedaço de pau. É fácil falar em defesa dessa região quando sua subsistência não depende diretamente dela. Quero crer que esse trabalho vai levar as pessoas a terem esse tipo de questionamento".

 

 

Aventuras


O fotógrafo passou por boas aventuras para angariar as imagens que hoje compõem a exposição. Por mais de uma vez, por exemplo, esteve dentro de um garimpo e chegou a descer cem metros no subsolo para fazer uma imagem.

 

Outra vez, partiu em busca de fotografias sobre a extração de madeira na represa de Tucuruí, e acabou mergulhando para fazer imagens de toras transportadas embaixo d'água. "Um mergulhador me levou para vê-lo cortando a árvore e eu não tinha experiência com mergulho. Para ajudar a descer, me amarrei a uns pedaços de metal pesado, restos da obra da usina que ainda estavam por lá", diz ele.

No dia em que morreu a missionária norte-americana Dorothy Stang, em 2005, Santos estava em Brasília. O crime havia ocorrido em Anapu, no Pará, para onde o fotógrafo conseguiu ir na mesma noite. "Cheguei lá de madrugada e estava fazendo fotos na manhã do dia seguinte. O corpo de Dorothy saía do hospital e era levado até Belém", conta. 

 

Foto: Paulo Santos/Divulgação

Participantes dos Jogos Indígenas, no Pará. (Foto: Paulo Santos/Divulgação)

 

Depois, Santos também documentou o enterro da missionária, onde estavam autoridades do governo como Eduardo Suplicy e Jorge Viana. A imagem foi enviada para a agência de notícias Associated Press, para a qual Santos colaborava.

Hoje, o fotógrafo faz imagens para a agência Reuters e mantém um blog sobre o projeto. Seu envolvimento com a fotografia começou em 1979, quando ele estava engajado no movimento estudantil. Apesar de ter décadas de profissão registrando a Amazônia, Santos é modesto sobre sua experiência no bioma. "Existem milhares de coisas e lugares que ainda não conheci", diz.

 

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