'Se vejo alguém fazendo uma queimada, eu denuncio na hora', conta o técnico de segurança no trabalho Lúcio Mário Silva. (Foto: Arquivo Pessoal)
“Quando eu ainda morava em Monte Dourado (PA), um vizinho cortou
uma árvore. Infelizmente, eu não cheguei a tempo, mas fiquei com
tanta raiva que acabei pegando a motosserra dele e jogando de um
penhasco.”
O técnico em segurança do trabalho Lúcio Mário da
Silva, de 33 anos, não consegue ficar parado quando vê alguém
destruindo a natureza. “Nesse aspecto, sou bastante radical. Se
vejo alguém fazendo uma queimada, denuncio na hora.”
Foi isso que ele fez – e muito – durante esta
segunda-feira (8), até alcançar o primeiro lugar no ranking de
protestos contra queimadas e desmatamentos do aplicativo
Amazônia.vc.
Esse mapa interativo, lançado neste domingo (7)
junto com o portal Globo Amazônia, permite que
internautas acompanhem em tempo real a destruição da floresta
amazônica, e ainda deixa um espaço para os usuários deixarem
suas manifestações.
Menos de 24 horas após a estréia, o aplicativo já registrava mais de um milhão de protestos, dos quais mais de 3.500 haviam sido feitos por Lúcio Mário.
No topo do ranking
Estar no topo do ranking já rendeu muitos elogios
e algumas críticas ao internauta. Pelo menos 34 recados
comentando seus protestos figuravam no seu perfil no Orkut nesta segunda-feira.
“Muita gente acha que queremos tirar o emprego, coibir o
desenvolvimento da região, mas não é isso. O objetivo é
proporcionar um desenvolvimento sustentável. Não é queimando a
floresta de forma descontrolada que a gente vai
gerar desenvolvimento”, explica.
Lúcio Mário, que já trabalhou cinco anos no Pará e
hoje mora em Caeté (MG), considera que a devastação da Amazônia
poderia ser freada se houvesse mais sensibilidade do poder
público. “Hoje mesmo uma floresta aqui da cidade pegou fogo. Se
tivéssemos uma brigada de incêndio, uma população mais
conscientizada, esse incêndio não teria a proporção que teve”,
relata.
Para o internauta, vigiar a Amazônia é tarefa de
todos. “Algumas pessoas que me contataram reclamando que eu
tenho que cuidar mais da minha região. Eu cuido, sim, mas aqui
quase não há mais florestas, e não dá mais para voltar atrás.
Temos que cuidar do que a gente ainda tem”, conclui.
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