Uma fiscalização realizada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) apreendeu,
neste sábado (6), dez caminhões carregados de madeira no
município de Uruará, no oeste do Pará. Segundo informações do
instituto, a madeira havia sido retirada ilegalmente em
florestas do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) de
Santa Clara, um assentamento de reforma agrária.
Quatro caminhões carregados com troncos e tábuas
de ipê e maçaranduba foram levados à sede do Ibama, e a madeira
será doada ou leiloada. O restante ainda está na floresta, pois
os caminhões apreendidos não estavam em boas condições de tráfego.
Além da madeira, os fiscais do Ibama também
apreenderam uma pequena serraria móvel, que é transportada em
caminhões e permite a transformação de troncos em tábuas já no
local em que as árvores são derrubadas. O Ibama prevê que as
multas que serão aplicadas ultrapassem 10 mil reais.
De acordo com o chefe de fiscalização do Ibama em
Santarém, Marcus Bistene, muitas madeireiras ilegais estão se
instalando na região para escapar da operação Arco de Fogo, que
combate a combate extração e venda clandestina de madeira na
Amazônia. “Há muita gente que cortava madeira ilegalmente no
noroeste do Pará e agora está descendo para cá. Este local está
se tornando uma região de conflitos muito sérios”, afirma.
O assentamento também é palco da disputa por
terras. De acordo com Bistene, além dos madeireiros e dos
assentados, ainda permanecem no local pessoas que se dizem
antigas proprietárias das terras.
Segundo informações divulgadas pelo Ibama, a
operação ocorreu após líderes comunitários terem sido ameaçados
de morte por denunciarem a retirada ilegal de madeira.
Essa é a terceira operação de fiscalização no
assentamento Santa Clara. No final de 2007, quatro caminhões e
um trator já haviam sido apreendidos. No início de 2008, 16
madeireiras que operavam irregularmente em Uruará foram
fechadas. “Algumas voltaram a funcionar com ordem judicial,
outras voltaram ilegalmente.”, conta Bistene.
Mapa mostra devastação
O desmatamento no município de Uruará pode ser
observado por meio do mapa interativo Amazônia.vc, lançado nesde
domingo (7), que permite o acompanhamento em tempo real da
destruição da floresta amazônica e abre espaço para que
internautas deixem suas manifestações contra queimadas e
desmatamentos.
O mapa aponta pelo menos cinco focos de devastação
no município, e 26 mil protestos registrados contra o
desmatamento ocorrido nestes pontos.
Veja as últimas notícias e proteste contra queimadas e desmatamento.