09/09/08 - 17h32 - Atualizado em 09/09/08 - 17h32

Ibama apreende dez caminhões de madeira em assentamento no Pará

Também foi confiscada serraria que funcionava dentro da floresta.
Fiscalização ocorreu em Uruará, no oeste do Pará.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Uma fiscalização realizada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) apreendeu, neste sábado (6), dez caminhões carregados de madeira no município de Uruará, no oeste do Pará. Segundo informações do instituto, a madeira havia sido retirada ilegalmente em florestas do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) de Santa Clara, um assentamento de reforma agrária.

Quatro caminhões carregados com troncos e tábuas de ipê e maçaranduba foram levados à sede do Ibama, e a madeira será doada ou leiloada. O restante ainda está na floresta, pois os caminhões apreendidos não estavam em boas condições de tráfego.

Além da madeira, os fiscais do Ibama também apreenderam uma pequena serraria móvel, que é transportada em caminhões e permite a transformação de troncos em tábuas já no local em que as árvores são derrubadas. O Ibama prevê que as multas que serão aplicadas ultrapassem 10 mil reais.

De acordo com o chefe de fiscalização do Ibama em Santarém, Marcus Bistene, muitas madeireiras ilegais estão se instalando na região para escapar da operação Arco de Fogo, que combate a combate extração e venda clandestina de madeira na Amazônia. “Há muita gente que cortava madeira ilegalmente no noroeste do Pará e agora está descendo para cá. Este local está se tornando uma região de conflitos muito sérios”, afirma.


O assentamento também é palco da disputa por terras. De acordo com Bistene, além dos madeireiros e dos assentados, ainda permanecem no local pessoas que se dizem antigas proprietárias das terras.

Segundo informações divulgadas pelo Ibama, a operação ocorreu após líderes comunitários terem sido ameaçados de morte por denunciarem a retirada ilegal de madeira.

Essa é a terceira operação de fiscalização no assentamento Santa Clara. No final de 2007, quatro caminhões e um trator já haviam sido apreendidos. No início de 2008, 16 madeireiras que operavam irregularmente em Uruará foram fechadas. “Algumas voltaram a funcionar com ordem judicial, outras voltaram ilegalmente.”, conta Bistene.

 

Mapa mostra devastação


O desmatamento no município de Uruará pode ser observado por meio do mapa interativo Amazônia.vc, lançado nesde domingo (7), que permite o acompanhamento em tempo real da destruição da floresta amazônica e abre espaço para que internautas deixem suas manifestações contra queimadas e desmatamentos.

O mapa aponta pelo menos cinco focos de devastação no município, e 26 mil protestos registrados contra o desmatamento ocorrido nestes pontos.