10/09/08 - 16h24 - Atualizado em 10/09/08 - 16h24

Políticos de Juína (MT) são processados por suposta ameaça a ambientalistas

Ação foi movida pelo Ministério Público Federal.
Prefeito e presidente da câmara dos vereadores podem perder o cargo.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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O Ministério Público Federal (MPF) pediu, na última quarta-feira (3), o afastamento do prefeito de Juína (MT), Hilton Campos, e do presidente da câmara de vereadores do município, Francisco de Assis Pedroso. Eles são acusados de ameaçar ambientalistas e jornalistas estrangeiros durante uma visita que o grupo realizou na cidade para fazer uma pesquisa sobre queimadas e desmatamento.


A ação, impetrada pelo procurador Mário Lúcio Velloso, tem caráter liminar: pede a saída dos políticos antes do julgamento. O empresário Paulo Roberto Perfeito e o presidente da Associação dos Produtores Rurais de Rio Preto, Aderval Bento, também são réus no processo.


O episódio que deu origem à ação judicial aconteceu em agosto de 2007, quando integrantes das ONGs Greenpeace e Opan (Operação Amazônia Nativa) acompanhavam jornalistas estrangeiros que colhiam informações sobre a derrubada da floresta e sobre a vida dos índios enawene nawe, que vivem região.


De acordo com nota divulgada pelo MPF, a recepção do hotel onde o grupo estava hospedado foi ocupada por fazendeiros que queriam saber o motivo da presença deles em Juína. Para dar explicações, o grupo participou de uma sessão na Câmara Municipal. Nessa reunião, que durou cerca de seis horas e teve a participação dos réus no processo, o grupo teria sido coagido a não continuar seu trabalho na cidade.


A ação movida por Mário Velloso pede, além do afastamento do prefeito e do presidente da câmara, a suspensão dos direitos políticos dos quatro réus, pagamento de multa e indenização aos indígenas por dano moral coletivo.

 

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