13/09/08 - 13h21 - Atualizado em 13/09/08 - 13h24

Restos de madeira se transformam em violões em Manaus

Instrumentos musicais são fabricados com sobras das serrarias.
Madeira utilizada é proveniente de manejos florestais.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Instrumentos musicais são produzidos com madeira descartada das serrarias (Foto: Claudete Catanhede / Divulgação)

Ripas, vigas e tábuas de madeiras amazônicas que poderiam virar carvão se transformam em caixas, bandejas e até em violões e cavaquinhos na capital amazonense.

Um projeto apresentado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) na Feira Internacional da Amazônia, que termina neste sábado (13), mostra uma experiência bem-sucedida de criação de tecnologias para aproveitamento de madeira.

Utilizando resíduos descartados por serrarias e madeira proveniente de manejo florestal, a pesquisadora Claudete Catanhede estudou técnicas de marchetaria – colagem de madeiras de diferentes tipos – para a fabricação de produtos que revelassem a identidade amazônica e trouxessem desenvolvimento para a região.

“Essa proposta beneficia a empresa que produz os artefatos, gera empregos, e cria oportunidades de negócios com madeira da Amazônia”, explica a pesquisadora. 

De acordo com Catanhede, o projeto estudou a industrialização de árvores pouco conhecidas. “É importante valorizar madeiras alternativas porque muitas pessoas pensam que só espécies como o cedro e mogno podem ser utilizadas. Aí aumenta muito a procura por essas madeiras, e elas acabam desaparecendo.”, revela.

Os produtos de marchetaria vêm sendo fabricados comercialmente desde 2007, mas a pesquisadora estuda técnicas de aproveitamento de resíduos de madeira desde 2001. “É necessário fazer um estudo tecnológico sobre a qualidade das espécies. Se não estudarmos, conseguimos até vender, mas depois o cliente volta com o produto quebrado.”, conta.

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), o projeto funciona em parceria com uma empresa de Manaus. A capacidade de produção permite a fabricação de 300 peças por mês e, devido à demanda pelos produtos, cursos de marchetaria e lutherie – fabricação de instrumentos de cordas – já estão sendo ministrados pela empresa.