24/09/08 - 10h57 - Atualizado em 30/06/09 - 18h56

Ibama chega a pontos que têm mais protestos no Globo Amazônia

Fiscalização prende sete pessoas e aplica R$ 832 mil em multas.
Único desmatamento registra 33 mil protestos no mapa interativo.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Em uma travessa da rodovia Transamazônica, no município de Medicilândia (PA), um foco de desmatamento chama a atenção no mapa interativo do Globo Amazônia. Mais de 33 mil internautas protestaram contra esse ponto de destruição, cuja área equivale a cerca de 50 campos de futebol.

Foi nessa região que nove fiscais do Ibama, escoltados por 26 agentes da Polícia Federal e da Força de Segurança Nacional, derrubaram quatro acampamentos clandestinos e detiveram sete pessoas envolvidas com grilagem de terra e desmatamento. 

 

Foto: Ibama / Divulgação

Quando chegam a pontos de desmatamento indicado pelos satélites, fiscais têm dificuldade de encontrar responsáveis pela derrubada da mata. (Foto: Ibama / Divulgação)

O grupo, que integra a operação “Arco de fogo”, da Polícia Federal, e “Guardiões da Amazônia”, do Ibama, partiu de Altamira (PA) em 15 de setembro, e permaneceu na mata até o dia 18. A lista de multas aplicadas e de material apreendido é extensa: cinco tratores, quatro caminhões, sete motosserras, seis motos e R$ 832 mil reais em multas. 

Nas imagens de satélite do mapa interativo do Globo Amazônia, que mostra a destruição da floresta em tempo real, já se vê que a locomoção na região entre Altamira e Uruará, onde ocorreu a fiscalização, não é tarefa das mais fáceis. A rodovia Transamazônica não é asfaltada nesse trecho, e é cortada por centenas de estradas de terra que entram mata adentro. “É o efeito espinha de peixe”, relata Bruno Versiani, coordenador da operação.

O fiscal explica que os dados de desmatamento fornecidos pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), os mesmos utilizados no mapa interativo, servem como base para definir os locais que serão visitados.

Quando chegam na região, contudo, não é fácil de encontrar os responsáveis pela derrubada da mata. “Às vezes achamos desmate abandonado e não conseguimos identificar o responsável. Isso acontece muito. E a maioria das terras não tem titulação, é invasão de terra pública”, relata Versiani.

Outra preocupação do fiscal é a segurança. O histórico de conflitos por terra e a ação de grupos armados exigem reforço. “Como a fomos acompanhados por um contingente policial muito grande, conseguimos nos impor. Mas aconteceram muitas fugas no meio do mato”, conta. 

 

 

Reincidência

 

A presença da polícia e do Ibama nas regiões de altos índices de desmatamento afugenta os criminosos ambientais. Quando a equipe parte, contudo, os problemas voltam a ocorrer. Foi o que aconteceu em Pacajá, no sudeste do Pará. O município, segundo dados do Inpe, é o campeão de destruição da floresta no mês de julho.

Apenas nessa cidade, de acordo com o Ibama, operações realizadas nos últimos meses apreenderam mais de 2 mil metros cúbicos de madeira ilegal, destruíram mais de 40 fornos de carvão e embargaram 961 hectares de área desmatada.

Um internauta que tem uma fazenda na região, contudo, denunciou ao Globo Amazônia a volta das madeireiras ilegais depois que os fiscais deixaram o município. Uma equipe do Fantástico foi enviada ao local e comprovou o crime: caminhões carregados com toras de madeira, sem licença ambiental, circulavam à luz do dia.

Se você vive na Amazônia e tem denúncias de crimes ambientais, envie um e-mail para o Globo Amazônia: globoamazonia@globo.com . Não esqueça de colocar seu nome, telefone e, se possível fotos ou vídeos.