01/10/08 - 09h44 - Atualizado em 01/10/08 - 09h44

Para conter desmatamento, Pará reforçará fiscalização das serrarias

Governo quer identificar consumidores de madeira ilegal.
Estado é o que mais desmatou em agosto, segundo Inpe.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Dados divulgados na última segunda-feira (29) pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) revelam que o Pará foi o estado onde mais houve desmatamento no mês de agosto: foram 435 km² de florestas derrubadas na região.

Para conter a onda de destruição da floresta, o governo do Pará pretende investir na fiscalização das estradas, das serrarias e das indústrias de madeira. “O que vamos tentar fazer é identificar os centros consumidores dessa madeira, o fluxo em que ela se movimenta, para tentarmos estrangular esses consumidores. Enquanto houver uma rede estruturada de comercialização, combater em campo é uma tarefa muito difícil.”, revela Valmir Ortega, secretário do Meio Ambiente do Pará.

De acordo com Ortega, a fiscalização realizada diretamente nos pontos de desmatamento é muito cara, e muitas vezes ineficaz. “Um dos problemas que enfrentamos na região é a extensão territorial. Entre a capital e a região de Pacajá [município que mais desmatou em julho], são quase mil quilômetros. É como se, de São Paulo, você tentasse monitorar algo em Brasília. Além disso, são regiões que, para andar cem quilômetros, demoramos três, às vezes seis horas. O custo dessas operações é brutal”, afirma.

Em relação à medição realizada pelo Inpe, o secretário defende que os dados de desmatamento de agosto não refletem necessariamente o que aconteceu naquele mês, já que o estado estava coberto de nuvens no começo do ano, e matas derrubadas em meses anteriores estão começando a ser identificadas agora. “No acumulado do ano, temos 1.500 quilômetros quadrados [de desmatamento]. É um número alto, mas abaixo do ano passado”, argumenta. 

 

Focos de devastação


Uma das regiões que mais sofre com desmatamento, segundo os dados do Inpe, está localizada no sudoeste do Pará, ao norte e oeste da cidade de Marabá, nos municípios de Novo Repartimento e Pacajá. No mapa interativo do Globo Amazônia, que mostra a destruição da floresta em tempo real, é possível ver centenas de focos de desmatamento nesse local.

Aprenda a vigiar a floresta utilizando o mapa do Globo Amazônia.

Segundo o secretário, a população dessa região tem crescido muito, as florestas ainda são abundantes, e há o entroncamento entre rodovias que levam aos centros regionais do Pará, como Altamira e Marabá. “Em Pacajá e Novo Repartimento, temos dificuldade em estabelecer uma fiscalização permanente, pois há muitas estradas, muitos canais para vazamento de madeira ilegal. Você consegue reter isso durante a semana em que uma operação [de fiscalização] está acontecendo, mas se virar as costas a situação recrudesce”, afirma.

Ortega revela que as fiscalizações constantes têm gerado desemprego. “Nossas estimativas, que ainda são grosseiras, são de que a atividade florestal ilegal no estado movimente cerca de dois bilhões de reais por ano, e empregue mais de 200 mil pessoas”, calcula. “Em Tailândia, em um mês e meio de operação, foi necessário criar frentes de trabalho para contratar pessoas em uma situação emergencial. Esse problema se estende pelo Pará inteiro”, conta.

A solução, segundo o secretário, pode surgir na restauração das áreas degradadas. O estado pretende estimular os fazendeiros a recuperarem as matas devastadas em suas fazendas, e isso poderá gerar empregos. “Nossa meta é induzir a restauração de 1 milhão de hectares nos próximos cinco anos, gerando 100 mil empregos”, afirma.

 

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