A desaceleração da economia mundial pode ajudar a brecar o desmatamento na Amazônia por causa da queda no preço das commodities e o Brasil deveria fixar metas compulsórias sobre a derrubada de árvores, afirmou nesta terça-feira (7) o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc.
Em convenção realizada em Brasília, ele disse também serem exageradas as suspeitas sobre a ação de organizações não-governamentais estrangeiras na Amazônia.
Nacionalistas do Congresso, das Forças Armadas e do governo afirmam que a crescente presença de estrangeiros na região vem minando a soberania brasileira e alimentando o desmatamento.
"Eu acho que há exagero nessas acusações. Há realmente algumas poucas empresas e ONGs que estão realmente ligadas a biopirataria. Mas são uma grande minoria", disse Minc, referindo-se a grupos que contrabandeiam plantas para laboratórios farmacêuticos desenvolverem novos remédios no exterior.
"Hoje quem mais desmata na Amazônia infelizmente são os brasileiros", afirmou o ministro. "Na verdade, muitas vezes os grandes desmatadores acusam ONGs como Greenpeace e WWF porque eles não estão contentes com as críticas e as denúncias que estão sendo feitas contra eles próprios", disse o ministro, que venceu o Prêmio Global 500, da Organização das Nações Unidas (ONU), por seus esforços conservacionistas.
A queda no preço das commodities resultante da desaceleração da economia mundial contribuirá para os esforços do governo no combate ao desmatamento, afirmou Minc.
"É verdade que a diminuição dos preços das commodities diminui a pressão. Mas não queremos depender de um fator externo para proteger a Amazônia", disse Minc.
As medidas adotadas pelo governo incluem acordos com frigoríficos e madeireiras para não comprar carne e madeira de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia.
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