A piranha, por ser um animal carnívoro, apresenta maior contaminação por mercúrio.
Pesquisa liderada pelo ecólogo Bruce Forsberg, do Instituto
Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), revela que a
contaminação natural das águas de rios amazônicos com mercúrio
pode prejudicar as populações que se alimentam de certos peixes,
principalmente os carnívoros de grande porte.
Forsberg explica que o mercúrio é presente na
forma gasosa na atmosfera e que o solo amazônico, por ser muito
antigo, está impregnado pelo metal. “Esse mercúrio não vem do
garimpo, mas do solo naturalmente rico em metais”, explica o
cientista norte-americano, que há mais de três décadas vive em
Manaus.
Os peixes são impregnados por ingerirem a água com
mercúrio. A ingestão de espécies pequenas por outras maiores
aumenta o grau de contaminação - os animais carnívoros, que
estão em níveis mais altos da cadeia alimentar, são os mais
contaminados. “O ideal seria que as populações ribeirinhas
reorientassem o consumo para as espécies herbívoras e onívoras,
como jaraqui, curimatá, branquinho e tambaqui”, cita Forsberg.
Proteína
Segundo ele, é importante, no entanto, que as
pessoas não deixem de comer peixe, pois para os moradores da
floresta, essa é, muitas vezes, a única fonte de proteína. “Se
você deixa de comer proteína de peixe, deixa de se beneficar de
suas qualidades nutricionais”, diz o ecólogo, acrescentando que
os benefícios de consumir o pescado, ainda que com alguma
concentração de mercúrio, são
saiba mais
maiores que seus efeitos prejudiciais.
A ingestão de mercúrio em pequenas doses traz
problemas neuro-sensoriais, como dificuldades visuais leves e
pequena perda de controle motor. O consumo em alta concentração
pode levar à perda de consciência e até à morte.
Forsberg explica que a Organização Mundial de
Saúde recomenda que não sejam ingeridos alimentos com mais de
0,5 miligrama de mercúrio por quilo, mas que esse número foi
calculado levando em conta pessoas que consomem pouco peixe. “É
um cálculo feito para uma população que consome peixe duas vezes
por mês. O caboclo que come um ou dois quilos por dia chega num
índice acima do considerado saudável”, afirma.
Acima do limite
Peixes carnívoros, como a piranha, o tucunaré e a traíra apresentam impregnação por mercúrio em níveis acima do limite de 0,5 parte por milhão. “A maioria dos bagres é de predadores, por isso também não é bom comê-los”, acrescenta.
O cientista diz que a bacia do rio Negro é a que tem maior índice
de contaminação, mas que naquela região não pôde observar
pessoas com sintomas de intoxicação por mercúrio. Ele pretende
aprofundar sua pesquisa com o auxílio de médicos. Outros
pesquisadores, conta, verificaram contaminação por mercúrio em
moradores da bacia do rio Tapajós.
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