09/11/08 - 08h45 - Atualizado em 09/11/08 - 08h45

Recuperado, gavião-real é devolvido à natureza no Amazonas

Animal foi encontrado ferido, e passou 11 meses em Manaus.
Ave mede 1,90 metro com as asas abertas.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Ave foi alimentada com ratos para se adaptar à vida na floresta. (Foto: Inpa/Divulgação)

As dimensões não são modestas: a fêmea de gavião-real que voltará ao seu habitat no Amazonas pesa seis quilos, e suas asas atingem uma envergadura de 1,90 metro quando estão abertas. O animal foi encontrado ferido em dezembro de 2007, no município de Barreirinha (AM), e passou onze meses em Manaus para poder se recuperar e se preparar para voltar à natureza. Ele será solto na próxima segunda-feira (10), em local próximo onde foi encontrado.

Segundo a coordenadora do Projeto Gavião Real, Tânia Sanaiotti, pesquisadora do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), a espécie já ocorreu no Brasil inteiro, mas hoje está em extinção na Mata Atlântica. “Eles precisam de grandes reservas para encontrar suas presas”, explica. O animal é considerado uma das maiores aves de rapina do mundo. 

 

Ratos e preguiças

Um dos pratos preferidos do gavião-real são os bichos-preguiça. Para adaptar o animal novamente à natureza e verificar se seus ferimentos – que ocorreram nas garras – já estavam recuperados, os pesquisadores do Inpa o alimentavam com ratos amarrados a pequenas bolsas, para fazer peso. “Na natureza, ele caça presas entre dois ou três quilos”, informa Sanaiotti. No final da recuperação, o gavião-real já conseguia levar presas de dois quilos a dez metros de altura. 

A pesquisadora conta que, quando a ave foi encontrada, pesava cinco quilos. Com o tratamento nas garras, chegou a pesar oito. “Agora ele perdeu um pouco. Deve estar com seis quilos. Fizemos ele perder peso para ganhar habilidade”, revela.

De acordo com Sanaiotti, o animal que será solto tem quatro anos de vida, mas ainda não é adulto. “Eles vivem cerca de 50 anos, e produzem um filhote a cada três anos. Por isso é tão importante devolvê-la para a natureza”, afirma.