12/11/08 - 20h50 - Atualizado em 12/11/08 - 22h23

Traficantes levam gasolina da Venezuela para o Brasil em Roraima

Combustível chega a custar um terço do preço no país vizinho.
Contrabandistas adulteram tanques dos carros para levar mais gasolina.

Do Globo Amazônia, com informações do Jornal Nacional

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A cidade de Pacaraima (RR), na fronteira brasileira com a Venezuela, é pouco mais que um povoado à beira da estrada. Localizada a 210 quilômetros da capital, Boa Vista, a cidade é passagem obrigatória para quem quer fazer compras do outro lado da divisa, aproveitando a diferença de câmbio entre o Brasil e o país vizinho.

 

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Quem chega a Pacaraima logo é abordado por cambistas, que trocam reais por bolívares – a moeda utilizada na Venezuela. O câmbio sem nenhum registro é feito na rua, à vista de todos.

O que mais atrai os brasileiros para as terras venezuelanas é o preço do combustível, que é muito mais barato do que no Brasil. O litro da gasolina custa o equivalente R$ 0,90, quase um terço do preço cobrado em Roraima.

Mal o dia amanhece, forma-se uma imensa fila para abastecer o carro em um posto do outro lado da fronteira. É tanta gente que, para evitar tumultos, soldados do exército venezuelano fazem a segurança do posto. 

Propina


Segundo a Polícia Federal, há muitas pessoas em Pacaraima vivendo do contrabando de combustível. Em um depósito mantido pela instituição, dezenas de carros estão apreendidos por terem o tanque de combustível adulterado, aumentando sua capacidade e facilitando o comércio ilegal.

Um homem que não quer ser identificado informa que soldados venezuelanos cobram até 50 reais para permitir o livre acesso à fronteira. “Conforme a propina você abastece dez vezes, duas vezes, o tanto que quiser”, denuncia.

Quando voltam a Roraima, os contrabandistas guardam o combustível em galões, e pagam mais propina para armazená-los. A Polícia Federal afirma que não tem estrutura para fiscalizar todos os carros. 

 

Compras

Seguindo de Pacaraima para a Venezuela, são quinze quilômetros de estrada até Santa Elena do Uairén. A paisagem é marcada pela bela vista das savanas amazônicas, com direito a cachoeiras de águas límpidas.

A cidade estrangeira lembra Cidade do Leste, no Paraguai: seus preços baixos atraem os turistas que adoram ir às compras. O Real é aceito na maioria dos estabelecimentos e, apesar de ter se desvalorizado ultimamente, muita gente ainda cruza a fronteira para aproveitar as pechinchas.