Arraias, cascudos, matrinxãs, pacus e dezenas de ouras espécies de animais aquáticos de um trecho do rio Areões, de Nova Xavantina (MT), morreram na última semana por causa da poluição das águas causada por um frigorífico da região. A denúncia foi feita por e-mail ao Globo Amazônia pela internauta Beatriz Kemerich, cujos pais moram na região, e também foi checada em campo por fiscais do Ibama, que verificaram o crime ambiental.
Toneladas de peixes, inclusive arraias, foram encontradas boiando no rio Areões, no município de Nova Xavantina (MT). (Foto: João Lima Filho / Arquivo pessoal)
O problema começou na última sexta-feira (7), quando fazendeiros
das margens do Rio Areões perceberam que centenas de peixes
mortos começaram a aparecer boiando na água. Eles acionaram
técnicos da Universidade do Estado do Mato Grosso (Unemat), que
analisaram a água e verificaram o baixo índice de oxigênio.
Nesta quarta-feira (12), fiscais do Ibama foram ao
local e descobriram que a poluição havia sido causada por
resíduos lançados pelo Frigorífico Independência, que fica nas
margens de um afluente do Areões. A empresa foi interditada e
multada em R$ 2 milhões.
Análise revela que índice de oxigênio na água estava 20 vezes inferior ao ideal. (Foto: João Lima Filho / Arquivo pessoal)
Por meio de sua assessoria de imprensa, o frigorífico informou que uma equipe técnica está no local realizando análises. A empresa diz que só se pronunciará sobre o caso após a conclusão desses estudos.
De acordo com Nilton Padovan, promotor do Ministério Público
Estadual de Mato Grosso que investiga o caso, esta já é a
terceira vez em que peixes morreram por causa de dejetos
lançados pelo frigorífico. “Esta última foi a mais grave”,
informa. Segundo o promotor, a análise da água comprova que a
mortandade começou logo após o ponto em que o córrego
proveniente do frigorífico deságua no Areões.
Por temer que novos acidentes aconteçam, o
promotor estuda a possibilidade de entrar com uma ação civil
pública pedindo a interdição judicial da empresa. “[Se isso
acontecer, o frigorífico] ficaria interditado até que eles
mostrassem que estão em condições de operar sem interferir no
meio ambiente”, afirma.
Falta de oxigênio
Os estudos feitos nos laboratórios da Unemat
mostram que a quantidade de oxigênio dissolvido na água estaria
cerca de 20 vezes inferior ao padrão esperado. “Estava com 0,34
mg/litro, quando deve ser entre 5 a 8”, informa João Lima Filho,
bolsista do laboratório de Ictiologia e Liminologia da
universidade. “Temos toneladas de peixes mortos em uma grande
extensão do rio Areões. A mortandade atingiu desde pequenos
lambaris até pintados de um metro de tamanho”, relata.
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