24/11/08 - 10h28 - Atualizado em 24/11/08 - 21h08

Madeireiros atacam escritório do Ibama no Pará

Fiscais do instituto haviam apreendido 19 caminhões de madeira.
Material confiscado havia sido retirado de terras indígenas.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

Tamanho da letra

 

A apreensão de 19 caminhões de madeira em Paragominas (PA) provocou forte reação de donos de madeireiras e trabalhadores do setor. No final da tarde deste domingo (23), cerca de 500 pessoas atacaram o prédio da sede municipal do Ibama local. Carros que estavam na garagem foram queimados, e o prédio foi invadido. A rua que dá acesso ao escritório foi interditada com latas de lixo e pneus queimados.

 

A manifestação avançou na madrugada até a chegada de 80 homens do batalhão de choque da Polícia Militar do Pará, que dispersou os manifestantes com gás de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo.

De acordo com Marco Antônio Vidal, que coordena a operação do Ibama em Paragominas, a madeira apreendida vinha da reserva indígena Alto Rio Guamá. “Na noite de sábado, enquanto acontecia uma festa na cidade, fomos para uma estrada que sai da terra indígena e pegamos os caminhões extraindo madeira. Eles não tinham documentação nenhuma”, conta.

No domingo a operação prosseguiu, com a ajuda de um helicóptero. Segundo Vidal, o furor dos madeireiros foi causado pela apreensão de celulares e documentos dos veículos, que serviam como provas do crime. Entre os manifestantes, ele diz ter identificado donos de empresas de madeira e motoristas dos caminhões.

Segundo o chefe da operação, que está abrigado em um hotel da cidade, a fiscalização irá continuar. São esperados reforços da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança, além de mais fiscais do Ibama.