07/12/08 - 07h48 - Atualizado em 08/12/08 - 15h34

Comunidade quilombola corre risco de ser 'engolida' pelo Rio Amazonas

Ribeirinhos vivem em ilha próxima a Santarém (PA).
Fenômeno da ‘terra caída’ faz barrancos próximos às casas desmoronarem.

Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Pelo menos 19 casas da comunidade de Arapemã, localizada em uma ilha do Rio Amazonas próxima a Santarém (PA) correm o risco de serem levadas pela água. Com o início do período das cheias, o fenômeno conhecido como “terra caída” se intensifica: as águas dos rios derrubam barrancos e levam tudo o que esteja próximo deles.

 

 

Foto: Raphael Moreira da Silva / MPF-PA

Fenômeno da 'terra caída' faz com que barrancos da beira do rio se desprendam, ameaçando construções. (Foto: Raphael Moreira da Silva / MPF-PA)


O Ministério Público Federal no Pará (MPF/PA) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) pediram à Justiça que seja dada uma autorização para que toda a comunidade se mude para terras localizadas em um local mais seguro da ilha, atualmente ocupadas por posseiros.

“[Os moradores] correm risco de morte, e, na tentativa de sobreviverem, corre a comunidade ainda o risco da desagregação, do desaparecimento da própria identidade, uma vez que a terra é caracterização maior da existência/resistência dessa população.”, defende trecho da ação movida pelo MPF.

Os moradores de Arapemã já foram reconhecidos oficialmente como remanescentes de quilombos, mas ainda não conseguiram regularizar suas terras. Segundo o MPF, ainda não houve acordo entre eles e os posseiros que habitam a região.

Um agravante para a situação das comunidades é a extração irregular de argila na ilha. Além de agravar a erosão dos barrancos, a atividade afasta os peixes – base da alimentação dos quilombolas. 

 

 

 

Foto: Raphael Moreira da Silva / MPF-PA

Moradores da ilha deixam tábuas junto às casas, pois sempre são necessárias novas construções. (Foto: Raphael Moreira da Silva / MPF-PA)

 

 

 

Foto: Raphael Moreira da Silva / MPF-PA

Ministério Público pede na Justiça que quilombolas possam habitar terras mais altas da ilha, atualmente ocupadas por posseiros. (Foto: Raphael Moreira da Silva / MPF-PA)

 

 

Foto: Raphael Moreira da Silva / MPF-PA

Período das chuvas, somado à retirada ilegal de argila, faz com que terra se desprenda mais rápido nas bordas da ilha. (Foto: Raphael Moreira da Silva / MPF-PA)