08/12/08 - 14h41 - Atualizado em 08/12/08 - 17h13

Obra na rodovia BR-319 não começa sem criação de reservas, garante secretária

Estrada atravessa trecho de floresta conservada no sul do Amazonas.
Sem unidades de conservação, dano ambiental pode ser grande, aponta estudo.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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A obra da rodovia BR-319, que liga Porto Velho (RO) a Manaus (AM), não começará enquanto não for garantida a existência de um conjunto de unidades de conservação em seu entorno para reduzir seu impacto, afirma a secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Nádia Ferreira.

 

“O estado do Amazonas não aceitaria isso”, diz, apontando que esta é também

uma exigência do Ministério do Meio Ambiente. Neste domingo (8), o jornal Folha de S.Paulo publicou reportagem citando um panorama em que, sem a presença do Estado por meio de reservas efetivamente implementadas, a estrada causaria danos ambientais no valor de R$ 10,5 bilhões ao longo de 20 anos, principalmente pela emissão de gás carbônico causada pelo desmatamento.

 

A projeção, segundo o diário, é parte do estudo e relatório de impacto ambiental (EIA-Rima) produzido pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que será usado pelo Ibama para definir a emissão de licenças para a obra. Nádia Ferreira explica que o EIA-Rima será submetido a audiência pública antes de qualquer decisão definitiva a respeito da realização ou não da obra.

Procurado pelo Globo Amazônia, o Ministério dos Transportes informou que a instituição não se pronunciará sobre o caso enquanto o Ibama não publicar seu parecer sobre o estudo. O órgão ambiental recebeu oficialmente o estudo nesta segunda-feira (08), e informou que o prazo para análise e eventual aprovação é de 180 dias.


Prevista no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), a pavimentação da BR-319 tem gerado polêmica porque atravessa um trecho do sul do Amazonas de floresta conservada. Os opositores da obra consideram que a rodovia pode abrir uma frente de desmatamento na região, a exemplo do que aconteceu em outras partes da Amazônia, como no oeste do Pará, com a BR-319. Eles argumentam ainda que, economicamente, não compensaria asfaltá-la (leia mais sobre este assunto).

O Ministério do Meio Ambiente criou um grupo de trabalho para fazer um planejamento que reduzisse o impacto ambiental da obra. O Governo do Amazonas participa do grupo e, segundo Nádia Ferreira, chegou-se à conclusão de que o custo da “blindagem ambiental” por meio da criação de unidades de conservação seria maior que o da obra em si, o que, no entanto, não é fator inviabilizador.

Ela admite, no entanto, que em nenhum momento se cogitou outra possibilidade além da construção da rodovia. “Não se estava discutindo a não realização da rodovia. Essa foi a alternativa apresentada pelo governo federal aos estados do Amazonas e de Rondônia”, explica.

 

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