18/12/08 - 12h26 - Atualizado em 18/12/08 - 12h26

Castanha-do-Pará garante sustento de coletores no Acre

Estado é responsável pela produção de 35% da castanha brasileira.
Semente é retirada manualmente do meio da mata.

Do Globo Amazônia, com informações do Globo Rural

Tamanho da letra

 

Apesar do nome da planta remeter ao estado paraense, é o Acre o líder de produção da castanha-do-Pará – também chamada de castanha-do-Brasil. O estado responde por 35% da produção nacional, que é toda retirada da floresta.

 

Visite o site do Globo Rural

Uma das pessoas que vive da coleta da castanha é Francisco Soarez de Melo. Desde que nasceu, a renda de sua família vem de produtos da mata. Foi com o pai que ele aprendeu a procurar no meio da mata os ouriços – casca dura e pesada que abriga as sementes – da castanha. Durante a safra, ele chega a caminhar até cinco horas por dia para coletar cerca de 30 quilos do produto.

“Às vezes uma castanheira é boa produtora e dá de oito a dez latas. Então, demora mais para fazer a coleta e nesse dia não dá para andar muito. Quando a gente topa com as castanheiras que não são boas produtores, a gente anda mais”, afirma Melo. Na safra passada, ele coletou 50 latas de castanha. Foram 60 quilos do produto que renderam cerca de mil reais.

Do meio da floresta, ele leva a castanha coletada para o armazém que recebe também a produção de mais 21 famílias que vivem na reserva Chico Mendes. No ano passado, a safra rendeu mais de 53 mil quilos de castanha. Na safra deste ano, os produtores calculam uma redução de 20% na produção.

Uma associação agrega 22 produtores da reserva. Na última safra, ela beneficiou 1,3 milhão de latas de castanha ao preço de R$ 17,00. O processamento da castanha tem basicamente seis etapas. Do armazém a castanha é levada para máquinas que fazem a desidratação primária e a esterilização. Com a casca já quebrada, a castanha segue na esteira para a classificação de qualidade. Depois, volta para a estufa, onde fica desidratando por mais 24 horas, para, então, ser embalada a vácuo, em caixas de 20 quilos cada.

Da cooperativa, a castanha do Acre é vendida principalmente para estados do Sul e do Sudeste do país. Segundo o diretor da associação, Celso Custódio, a tendência do preço da lata do produto é aumentar para R$ 18,00.