19/12/08 - 15h31 - Atualizado em 19/12/08 - 15h42

Quadrilha 'inventava' florestas para vender madeira ilegal

Ministério Público denuncia 33 pessoas por falsificação de documentos.
Entre os acusados está o ex-secretário de Meio Ambiente do Pará.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Um esquema para vender madeira de origem ilegal no Pará foi denunciado à Justiça nesta quinta-feira (18). Segundo o Ministério Público Federal (MPF) do estado, uma quadrilha usava documentos falsos para a aprovação de corte de madeira em florestas que não existiam. Depois disso, a autorização era vendida a madeireiras que cortavam árvores ilegalmente.

Entre os acusados está o ex-secretário estadual de Meio Ambiente do Pará, Raul Porto, e mais 32 pessoas, entre empresários, despachantes de madeira e servidores públicos.

A denúncia foi gerada a partir da Operação Ananias, realizada em 2007 pela Polícia Federal. Segundo o MPF, essa foi a primeira ação policial contra fraudes no sistema de emissão dos Documentos de Origem Florestal (DOFs), que servem para controlar eletronicamente o fluxo de madeira legal, desde o corte até a venda.

Ouvido pelo Globo Amazônia, Raul Porto negou a participação no esquema. Segundo o ex-secretário, ele esteve no cargo de abril a dezembro de 2006, período em que a emissão de DOFs era controlada pelo Ibama, e não pelo estado. “São 33 pessoas [denunciadas], das quais conheço apenas duas, com as quais quase não tenho contato, e já me colocam como membro de uma quadrilha”, reclama.

De acordo com Porto, o controle do fluxo de madeira passou ao estado somente em dezembro, quando foi implantado o sistema Sisflora. “Eu tive apenas 15 dias de operação do Sisflora, e pouca movimentação foi feita”, afirma. 

‘Terras virtuais’

Segundo o MPF, o esquema começava com a criação de um projeto de manejo florestal em uma área que existia apenas no papel. Os documentos eram passados para “despachantes” de madeira, que conheciam servidores públicos com capacidade de fraudar o sistema eletrônico de controle de madeira.

O projeto era aprovado sem que uma vistoria fosse feita na área. A partir de então, empresas ganhavam créditos para a emissão de documentos de transporte de madeira – os DOFs. Com esse papel em mãos, era possível passar despercebido por fiscalizações e vender madeira com nota fiscal.

Quem se beneficiava do esquema eram madeireiras que cortavam árvores ilegalmente, e compravam essas autorizações da quadrilha, segundo o MPF.