Floresta amazônica no norte de Mato Grosso: menos densa. (Foto: Divulgação/Inpe)
As emissões de carbono provocadas pelas queimadas na Amazônia
são, em média, 10% menores do que se imaginava, segundo uma
série de estudos sobre a densidade da vegetação da floresta
produzida no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
pelo pesquisador Euler Melo Nogueira e co-autores, todos
coordenados pelo professor Philip Fearnside.
As estimativas de emissões de gás carbônico pelo
desmatamento, que contribuem ao aquecimento global, são feitas a
partir dos índices de biomassa (folhas, galhos e outras partes
da floresta). Os estudos coordenados por Fearnside mostram que,
por diferentes motivos, a quantidade de carbono liberado na
atmosfera durante as queimadas e o desmatamento era superestimada.
Uma das razões é que os índices de carbono que se usam nas
equações de emissões se baseiam em medições de biomassa
realizadas na Amazônia Central (região que margeia o Rio
Amazonas), quando a maior parte das queimadas ocorre no chamado
Arco do Desmatamento, a faixa de fronteira agrícola que vai de
Rondônia ao Maranhão, passando por Mato Grosso e Pará. Nessa
região, a floresta é menor e mais espaçada.
“O solo em Mato Grosso é mais rico, por isso as
árvores ali crescem mais rápido e são menos densas”, explica
Fearnside em entrevista ao Globo Amazônia.
Segundo ele, no Arco do Desmatamento os índices de biomassa são
cerca de 13% menores do que consta do Inventário de Gases de
Efeito Estufa divulgado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia.
O que Fearnside e seus colegas pesquisadores
fizeram foi medir a biomassa das árvores naquela região. “Foram
analisadas quase 300 espécies. É um trabalho muito consistente”,
explica o pesquisador americano radicado há três décadas no Brasil.
Segundo ele, com a revisão da biomassa da
floresta, os números das emissões de carbono devem todos descer
paralelamente. “Eu mesmo utilizava esses índices
[superestimados]”, diz Fearnside.
No Arco do Desmatamento, aponta o cientista, não
apenas há maior ocorrência de árvores de espécies mais leves,
como dentro da mesma espécie os exemplares daquela região são
menos densos que os da Amazônia Central.
O desmatamento é considerado o principal
responsável pelas emissões de carbono do Brasil – maior que toda
a atividade industrial e queima de combustíveis.
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