17/01/09 - 07h40 - Atualizado em 17/01/09 - 07h40

Comunidades do Pará fazem mapa coletivo do impacto do cultivo da soja

Moradores encontraram rios contaminados e pontos de desmatamento.
ONGs deram treinamento para uso de GPS.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Moradores observam o mapa produzido coletivamente. (Foto: Greenpeace/Divulgação)

Comunidades rurais dos arredores de Santarém e Belterra, no Pará, produziram coletivamente um mapa que mostra os impactos do cultivo da soja na região oeste do estado. Eles identificaram pontos de desmatamento e outras consequências ambientais desse tipo de produção, como o assoreamento e contaminação de rios por agrotóxicos, bloqueio de estradas por plantações e o desaparecimento de povoados tradicionais.

 

O projeto, segundo a ONG Greenpeace, que apoiou a iniciativa, mapeou ainda 121 comunidades locais, algumas das quais nunca haviam sido mapeadas. 

De acordo com informações do Greenpeace, durante o mapeamento foram identificadas 29 comunidades que tiveram seu tamanho reduzido em função das plantações de soja – duas delas, inclusive, teriam desaparecido. Também foram mapeados 55 pontos de desmatamento, 4 deles em meio à floresta primária (parte mais interior da mata).

 

Os ribeirinhos identificaram ainda 29 nascentes e rios contaminados por agrotóxicos, com pequenas barragens ou em processo de assoreamento por causa do desmatamento de suas margens. Finalmente, os moradores apontaram 12 locais onde as plantações interromperam trilhas e estradas usadas tradicionalmente pela população local. 

 

Além do Greenpeace, o mapeamento teve apoio do Projeto Saúde e Alegria. As ONGs treinaram moradores de 28 diferentes comunidades no uso de GPS e interpretação de imagens de satélite.

Sindicatos de trabalhadores rurais de Santarém e Belterra também integram o projeto. “As próprias comunidades produziram um relato em forma de mapa sobre a situação deles com a expansão da soja”, comenta Raquel Carvalho, engenheira agrônoma e integrante do Greenpeace.

A região foi escolhida porque o cultivo de soja tem se expandido rapidamente ali desde a inauguração do terminal graneleiro da multinacional Cargill à beira do Rio Amazonas, alvo de disputas judiciais por causa das consequências ambientais que estaria trazendo à área.

Clique aqui para ter acesso ao mapa completo, apresentado nesta sexta-feira (16). 

 

Foto: Reprodução

Mapa mostra impacto (representado por caveira) em igarapé a menos de 10 km do centro de Santarém. O link para o mapa completo está no fim da reportagem. (Foto: Reprodução)

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