O uso de madeira de lei brasileira na reforma do calçadão de Ocean City, balneário do estado de Nova Jersey, é o centro de uma disputa judicial entre a prefeitura da cidade e uma empresa que vende o material nos EUA.
Ambientalistas locais articularam uma corrente de e-mails contra
o uso da madeira e afirmam ter conseguido o envio de mais de 100
mil e-mails à administração pública local.
A confusão começou em 2007, quando Ocean City
resolveu comprar ipê brasileiro para consertar um quarteirão do
seu calçadão de madeira que fica na beira da praia. A área de
pedestres de 4 quilômetros de extensão é uma das principais
atrações turísticas do local.
Calçadão de madeira em Ocean City, nos Estados Unidos. (Foto: Kevin Jarret/Flickr)
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Ambientalistas se mobilizaram e protestaram contra o uso de ipê brasileiro, já que havia uma resolução de 1997 da prefeitura para não usar mais madeira de florestas tropicais no piso do calçadão, como informa a agência Associated Press.
Em 2008, o conselho local (câmara de vereadores)
deu prazo até 15 de outubro para receber as tábuas da
fornecedora Grasmick Lumber Company. A entrega estava atrasada.
Como a encomenda não foi entregue integralmente, a prefeitura de
Ocean City resolveu cancelar o contrato com a madeireira e foi processada.
Nesta quinta-feira (26), os vereadores da cidade decidiram fazer um acordo com a empresa, estabelecendo que cerca de um quarto da reforma será feita com ipê. Para o restante, será usado um pinheiro norte-americano.
De acordo com a ambientalista Rhonda Van Wingerden, que ajudou a organizar o movimento contra o uso do ipê, os vereadores resolveram fixar a data de 15 de outubro para quebra de contrato porque havia pressão, inclusive de comerciantes locais, para que o material fosse usado.
Rhonda disse que para a reforma seria necessário ipê suficiente
para cobrir cerca de 4 mil metros quadrados. A Grasmick Lumber,
no entanto, entregou menos de 10% do total encomendado. Embora
seja madeira declaradamente certificada (legal), parte dela não
tem o selo que comprova a origem, afirmou a ambientalista. “Não
há garantia, mesmo sendo certificada, de que a madeira foi
extraída de forma sustentável”, acrescentou, por telefone.
O diretor financeiro da Grasmick Lumber, Ron
Leubecker, disse ao Globo Amazônia que a
empresa não comentará mais o caso.

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