Mapa interativo do Globo Amazônia mostra focos de desmatamento na Terra Indígena Maraiwatsede. (Foto: Reprodução)
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou 103,11 km² de desmatamento e degradação florestal em áreas de conservação nos meses de novembro, dezembro e janeiro últimos. Os dados do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) foram divulgados esta semana (leia mais).
Quase metade dos focos de devastação detectados (47,27 km² - o equivalente a 29 vezes o Parque do Ibirapuera, em São Paulo) encontra-se na Terra Indígena Maraiwatsede, situada entre São Félix do Araguaia (MT) e Alto Boa vista (MT),
Aprenda a vigiar a floresta utilizando o mapa do
Globo Amazônia
O chefe da unidade da Funai (Fundação Nacional do
Índio) responsável pela reserva, Denivaldo Rocha, confirmou ao
Globo Amazônia que a situação na terra
indígena é grave. “Por mais que fiscalizemos, o desmatamento
continua”, diz. “Dos 1650 km² da terra, restam apenas uns 10% de
floresta”, avalia o funcionário da Funai.
saiba mais
A Terra Maraiwatsede tem uma história problemática. Nos anos 60,
os índios xavantes que ali habitavam foram transferidos para
outras regiões pelo governo militar, para darem espaço a um
projeto agrícola. Na época da Eco 92, a empresa proprietária da
fazenda criada no local decidiu devolver a área aos xavantes. No
entanto, a população dos arredores ocupou a terra antes que a
volta dos indígenas ocorresse.
Em 1998, veio a demarcação da terra e o
reconhecimento do direito dos xavantes à reserva. No entanto,
como explica Denivaldo Rocha, até hoje há uma disputa judicial
em que os fazendeiros, que seguem na terra indígena, questionam
a ordem de saída da região.
Rocha explica que há mais não-índios que xavantes
na reserva e que a paisagem é predominantemente de pastos e
plantações de grãos, como soja e arroz. O clima entre os
fazendeiros e os índios é tenso, revela: “É uma situação que a
qualquer momento pode estourar”.
Segundo o chefe do posto da Funai, por ano são
feitas de três a quatro fiscalizações na Terra Maraiwatsede em
conjunto com o Ibama, “dependendo dos recursos disponíveis”.
Veja abaixo a tabela com as dez unidades de
conservação com mais áreas desmatadas ou degradadas entre
novembro de 2008 e janeiro de 2009, segundo o Inpe:
| Unidade de conservação | Área de desmatamento detectada pelo Inpe entre nov/08 e jan/09 (km²) |
| Terra Indígena Maraiwatsede (MT) | 47,269 |
| Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu (PA) | 15,838 |
| Terra Indígena Cachoeira Seca (PA) | 8,890 |
| Terra Indígena Cana Brava/Guajajara (MA) | 6,651 |
| Área de Proteção Ambiental Ilha do Bananal/Cantão (TO) | 5,194 |
| Terra Indígena Apyterewa (PA) | 3,749 |
| R.V.S. Rio das Mortes (MT) | 3,097 |
| Parque Nacional da Serra do Pardo (PA) | 1,589 |
| Floresta Nacional do Bom Futuro (RO) | 1,289 |
| Floresta Estadual do Paru (PA) | 1,280 |

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