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07/03/09 - 08h20 - Atualizado em 07/03/09 - 08h20

Terra indígena em MT perde 29 Ibirapueras com desmatamento

Chefe da Funai na reserva admite que quase tudo foi devastado.
Índios foram tirados da terra pelo governo militar e retornaram nos anos 90.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Mapa interativo do Globo Amazônia mostra focos de desmatamento na Terra Indígena Maraiwatsede. (Foto: Reprodução)

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) detectou 103,11 km² de desmatamento e degradação florestal em áreas de conservação nos meses de novembro, dezembro e janeiro últimos. Os dados do sistema Deter (Detecção de Desmatamento em Tempo Real) foram divulgados esta semana (leia mais).

 

Quase metade dos focos de devastação detectados (47,27 km² - o equivalente a 29 vezes o Parque do Ibirapuera, em São Paulo) encontra-se na Terra Indígena Maraiwatsede, situada entre São Félix do Araguaia (MT) e Alto Boa vista (MT),

 

Aprenda a vigiar a floresta utilizando o mapa do Globo Amazônia

O chefe da unidade da Funai (Fundação Nacional do Índio) responsável pela reserva, Denivaldo Rocha, confirmou ao Globo Amazônia que a situação na terra indígena é grave. “Por mais que fiscalizemos, o desmatamento continua”, diz. “Dos 1650 km² da terra, restam apenas uns 10% de floresta”, avalia o funcionário da Funai. 

 

 

A Terra Maraiwatsede tem uma história problemática. Nos anos 60, os índios xavantes que ali habitavam foram transferidos para outras regiões pelo governo militar, para darem espaço a um projeto agrícola. Na época da Eco 92, a empresa proprietária da fazenda criada no local decidiu devolver a área aos xavantes. No entanto, a população dos arredores ocupou a terra antes que a volta dos indígenas ocorresse.

Em 1998, veio a demarcação da terra e o reconhecimento do direito dos xavantes à reserva. No entanto, como explica Denivaldo Rocha, até hoje há uma disputa judicial em que os fazendeiros, que seguem na terra indígena, questionam a ordem de saída da região.

Rocha explica que há mais não-índios que xavantes na reserva e que a paisagem é predominantemente de pastos e plantações de grãos, como soja e arroz. O clima entre os fazendeiros e os índios é tenso, revela: “É uma situação que a qualquer momento pode estourar”.

Segundo o chefe do posto da Funai, por ano são feitas de três a quatro fiscalizações na Terra Maraiwatsede em conjunto com o Ibama, “dependendo dos recursos disponíveis”.

Veja abaixo a tabela com as dez unidades de conservação com mais áreas desmatadas ou degradadas entre novembro de 2008 e janeiro de 2009, segundo o Inpe: 

 

Unidade de conservação Área de desmatamento detectada pelo Inpe entre nov/08 e jan/09 (km²)
Terra Indígena Maraiwatsede (MT) 47,269
Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu (PA)  15,838
Terra Indígena Cachoeira Seca (PA) 8,890
Terra Indígena Cana Brava/Guajajara (MA) 6,651
Área de Proteção Ambiental Ilha do Bananal/Cantão (TO) 5,194
Terra Indígena Apyterewa (PA) 3,749
R.V.S. Rio das Mortes (MT) 3,097
Parque Nacional da Serra do Pardo (PA) 1,589
Floresta Nacional do  Bom Futuro (RO) 1,289
Floresta Estadual do  Paru (PA) 1,280
 

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