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17/03/09 - 10h56 - Atualizado em 30/06/09 - 19h31

Flechas indicam fuga de índios isolados do Peru para o Brasil

Indígenas entram em território brasileiro para escapar de madeireiras.
Com fome, eles roubam mudas de bananeira e de mandioca.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Empurrados pela exploração ilegal de madeira na Amazônia peruana, índios que nunca tiveram contato com o mundo externo estão fugindo para o Brasil. A denúncia é feita em relatório lançado nesta terça-feira (17) pela ONG Survival International, que acompanha a situação dos chamados “índios isolados” no mundo. 

 

Foto: Gleylson Miranda/Funai

Foto aérea mostra malocas dos índios peruanos que fogem para o Brasil. (Foto: Gleylson Miranda/Funai)

O problema acontece nas bordas do estado do Acre, no extremo oeste brasileiro. Para confirmar a denúncia feita pela Survival, o Globo Amazônia entrevistou o pesquisador da Funai José Carlos Meirelles, que há 20 anos vive na região estudando tribos isoladas. Ele confirma as informações divulgadas pela ONG inglesa.

 

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“A evidência mais forte de que esses índios foram expulsos de suas terras é que eles estão roubando mudas de banana e de mandioca da gente. Isso significa que eles saíram correndo, e não têm nem banana para plantar, porque estão com medo de ir buscar as mudas. Eles estão sem o que comer”, alerta o indigenista.

A exploração madeireira ocorre principalmente para a retirada do mogno. A madeira, uma das mais valiosas da Amazônia, é proibida de ser cortada no Brasil porque a planta corre risco de extinção. Para Meirelles, a única solução para o caso é o fim do consumo dessa madeira nobre.

“Enquanto houver gente disposta a pagar uma fortuna pela madeira, vai haver gente tirando mogno de onde for. O mundo precisa saber que cada americano que se enterra em um caixão de mogno, junto vai uns três índios isolados”, avisa. 

Madeira boiando

Como a região é tomada por florestas, o sertanista precisa trabalhar com evidências para descobrir o que ocorre dentro da mata. Recentemente, objetos boiando no rio mostraram que a atividade madeireira ocorre a todo vapor na região: foram encontradas várias pranchas de mogno, além de galões de óleo.

As marcas da chegada dos índios isolados peruanos também são muitas. Meirelles coleciona flechas utilizadas por essas tribos, e já foi alvo de algumas delas. “Eles não sabem distinguir a gente dos madeireiros”, conta. 

Risco de conflitos

Do lado brasileiro, há pelo menos três tribos que vivem sem contato. A região é protegida por reservas, mas Meirelles teme que ocorra um conflito entre os próprios indígenas isolados, já que os peruanos supostamente não reconheceriam as tribos brasileiras.

Em seu relatório, a Survival International pede ao governo peruano que expulse as madeireiras e não permita que ninguém entre na área para explorar recursos naturais, pois os índios correm risco de extinção, e podem morrer de doenças comuns, como a gripe, se entrarem em contato com brancos.

Segundo a ONG, um desses desastrosos encontros ocorreu em meados dos anos 1990, quando a tribo peruana Murunahua foi invadida por cortadores de mogno, e as doenças trazidas mataram pelo menos metade dos membros da comunidade.

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