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18/03/09 - 16h35 - Atualizado em 18/03/09 - 18h06

Aviador comprova existência de 'rio voador' da Amazônia para o Sudeste

Quantidade de água transportada é maior que a do Rio São Francisco.
Desmatamento pode quebrar o ciclo das chuvas nas duas regiões.

Iberê Thenório Do Globo Amazônia, em São Paulo

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Um rio gigante, que muitas vezes chega a carregar mais água do que o Rio São Francisco, faz um voo periódico da Amazônia para a Região Sudeste, com a ajuda da floresta. Essa é a principal descoberta da Expedição Rios Voadores, colocada em prática pelo aviador Gérard Moss, que desde 2003 cruza os céus do país coletando amostras de nuvens.

 

Veja as fotos dos voos de Gérard Moss

 

Foto: Expedição Rios Voadores/Divulgação

Em um monomotor, Gérard Moss fez 12 viagens pelo Brasil seguindo os 'rios voadores' e coletando amostras de água para análise. (Foto: Expedição Rios Voadores/Divulgação)

Nesta quarta-feira (18), em evento em São Paulo, o aviador mostrou as evidências de que o fluxo de água equivale a grandes rios brasileiros. No início de fevereiro de 2008, a vazão do ‘rio voador’ chegou a ser de 3.200 metros cúbicos por segundo. Para se ter uma idéia, o Rio São Francisco carrega 2.800 metros cúbicos no mesmo intervalo de tempo.

 

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O fluxo d’água atmosférico começa quando ventos trazem vapor do Oceano Atlântico sobre a região da cidade de Belém, no norte do Pará. Grande parte dessa água se transforma em chuva, que cai sobre a floresta e, com a ajuda da mata, evapora e se incorpora aos ventos novamente. As correntes de ar avançam Amazônia adentro e se dirigem para os Andes, mas como não conseguem atravessar a cordilheira, acabam descendo para o Sul e Sudeste brasileiros.

 

Dentro de todo esse ciclo, a participação da floresta é muito importante, pois as árvores conseguem devolver à atmosfera a chuva que cai sobre a Amazônia. “Uma única árvore consegue evapotranspirar cerca de 300 litros de água por dia”, explica Moss.  

 

Perseguição de nuvens

 

Para conseguir provar que o rio voador existe e que ele é importante no equilíbrio das chuvas no sudeste, Moss realizou 12 expedições aéreas coletando vapor d´água em várias regiões do país. A bordo de um monomotor, ele levou um equipamento que reunia e congelava as partículas de água da atmosfera.
Em terra, as moléculas de água foram analisadas pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA) da USP, em Piracicaba. Por meio desse estudo, foi possível rastrear o caminho da água, provando que ela chovia e evaporava da floresta antes de ir para o Sudeste.

 

Desmatamento

 

Ainda não se sabe qual é o efeito do desmatamento sobre o ‘rio voador’. O cientista Pedro Dias, do Instituto de Astronomia e Geofísica da USP, diz que é possível que o fluxo de água continue existindo, mas ele teria outro formato. Segundo o meteorologista – que faz parte da equipe de pesquisadores do projeto – isso pode significar um desequilíbrio climático que causaria seca e enchentes em várias regiões do país.

 

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