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05/04/09 - 21h50 - Atualizado em 05/04/09 - 21h55

Agricultura e exploração madeireira devastam a Amazônia peruana

Serrarias funcionam sem controle e com ajuda de indígenas.
Reportagem do Fantástico visitou a região durante oito dias.

Do Globo Amazônia, com informações do Fantástico

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Nas montanhas da Amazônia peruana, plantações abandonadas recentemente mostram como a terra desmatada empobrece. As plantas nascem, crescem, mas os frutos não se desenvolvem por falta de nutrientes.

A reportagem do Fantástico passou oito dias viajando pela região, de San Ramón, porta de entrada da floresta, ao Rio Tambo. O cenário é desolador. Assim como a fertilidade da terra, as nascentes do rios também se vão. O clima também mudou: o calor é cada vez mais intenso durante o dia e as noites estão mais frias.

 

Clique aqui para saber como protestar contra a devastação da floresta com o Globo Amazônia

Agricultores que migraram das montanhas geladas desmatam sem piedade. Também a extração madeireira é feita sem planejamento.

O Rio Tambo rasga a selva em direção ao Rio Maranhón, nome peruano dado ao Amazonas brasileiro. No território dos ashaninkas, uma das etnias mais tradicionais da Amazônia, há 108 comunidades indígenas. Em todas elas, a principal atividade econômica é a extração de madeira.

Um pedaço de floresta flagrado pela equipe do Fantástico virou um estoque de milhares de metros cúbicos de madeira de diversas espécies. Ali há uma serraria funciona em pleno território indígena. Apesar de ser clandestina, a madeireira funciona a pleno vapor, em parceria com os índios da região.

Para ajudar na fiscalização, o governo peruano criou a Polícia Ecológica. No único posto que funciona na região onde a floresta é mais pressionada, há só três policiais para cobrir 20 mil quilômetros quadrados.

No Inrena, o Ibama peruano, faltam funcionários para trabalhar nas estradas e nos postos de controle. Proporcionalmente, é como se cada fiscal do órgão tivesse que vigiar, sozinho, uma área maior que a cidade de São Paulo.

O destino de muitas cargas de madeira é a cidade de Satipo, que tem 100 mil habitantes e mais de cem serrarias, a maioria ilegal.

Proporcionalmente, o Peru desmatou em 25 anos o mesmo que o Brasil, segundo um relatório da ONU.

O governo peruano criou recentemente um Ministério do Meio Ambiente, mas reconhece que pelos menos 40% da madeira que circula nesta região da Amazônia tem procedência ilegal.

Acompanhe a partir desta segunda-feira (6), no Jornal Nacional, uma série especial sobre a BR-163, rodovia que liga Cuiabá a Santarém.

 

Sabe de algum crime ambiental cometido na Amazônia? Mande sua denúncia para globoamazonia@globo.com


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