Nas montanhas da Amazônia peruana, plantações abandonadas
recentemente mostram como a terra desmatada empobrece. As
plantas nascem, crescem, mas os frutos não se desenvolvem por
falta de nutrientes.
A reportagem do Fantástico passou oito dias
viajando pela região, de San Ramón, porta de entrada da
floresta, ao Rio Tambo. O cenário é desolador. Assim como a
fertilidade da terra, as nascentes do rios também se vão. O
clima também mudou: o calor é cada vez mais intenso durante o
dia e as noites estão mais frias.
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floresta com o Globo Amazônia
Agricultores que migraram das montanhas geladas
desmatam sem piedade. Também a extração madeireira é feita sem
planejamento.
O Rio Tambo rasga a selva em direção ao Rio
Maranhón, nome peruano dado ao Amazonas brasileiro. No
território dos ashaninkas, uma das etnias mais tradicionais da
Amazônia, há 108 comunidades indígenas. Em todas elas, a
principal atividade econômica é a extração de madeira.
Um pedaço de floresta flagrado pela equipe do
Fantástico virou um estoque de milhares de metros cúbicos de
madeira de diversas espécies. Ali há uma serraria funciona em
pleno território indígena. Apesar de ser clandestina, a
madeireira funciona a pleno vapor, em parceria com os índios da
região.
Para ajudar na fiscalização, o governo peruano
criou a Polícia Ecológica. No único posto que funciona na região
onde a floresta é mais pressionada, há só três policiais para
cobrir 20 mil quilômetros quadrados.
No Inrena, o Ibama peruano, faltam funcionários
para trabalhar nas estradas e nos postos de controle.
Proporcionalmente, é como se cada fiscal do órgão tivesse que
vigiar, sozinho, uma área maior que a cidade de São Paulo.
O destino de muitas cargas de madeira é a cidade
de Satipo, que tem 100 mil habitantes e mais de cem serrarias, a
maioria ilegal.
Proporcionalmente, o Peru desmatou em 25 anos o
mesmo que o Brasil, segundo um relatório da ONU.
O governo peruano criou recentemente um Ministério
do Meio Ambiente, mas reconhece que pelos menos 40% da madeira
que circula nesta região da Amazônia tem procedência ilegal.
Acompanhe a partir desta segunda-feira (6), no Jornal
Nacional, uma série especial sobre a BR-163, rodovia que
liga Cuiabá a Santarém.
Sabe de algum crime ambiental cometido na Amazônia? Mande sua denúncia para globoamazonia@globo.com
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