Enquanto dezenas de homens armados se movimentam no pátio de uma das serrarias ocupadas em Nova Esperanca do Piriá (PA), cinco homens permanecem sentados sobre pilhas de madeira cortadas por eles poucos dias antes e observam o movimento.
Trabalhadores de serraria observam operação ambiental em Nova Esperança do Piriá, no Pará. A economia da cidade é baseada na atividade madeireira. (Foto: Dennis barbosa/Globo Amazônia)
Cidade no nordeste do Pará tem cerca de 22 mil habitantes, segundo o IBGE.
Allan, 21, Pedro, 40, Alex, 33, Arnô, 42 e Naldo, 30, vieram
todos do povoado de Ligação, próximo a Dom Eliseu (PA) para
trabalhar na serraria paraense e foram surpreendidos nesta
segunda feira (6), quando um comboio liderado pelo Ibama invadiu
a cidade para acabar com o comércio de madeira retirada
ilegalmente de uma terra indígena próxima (saiba mais).
Pelo que contam, sua saída do povoado anterior, há
cerca de um ano, se deu em situação semelhante: a fiscalização
apertou o controle sobre as madeireiras e os trabalhadores
ficaram sem opção.
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Em Nova Esperança ele recebem seus salários quinzenalmente. Perguntados sobre se sabiam das irregularidades na empresa em que trabalhavam, eles desconversam e argumentam que não têm outro lugar para trabalhar. Com o fechamento da serraria, em poucos dias não terão dinheiro para suas necessidades básicas. "A gente vai ter que fazer sopa de pedra para viver", comenta Arnô, desanimado.
Na cidade de cerca de 22 mil habitantes praticamente não há trabalho fora das 13 serrarias que as autoridades ambientais acabam de fechar. Pelo menos outros 300 trabalhadores se encontram em situação semelhante. O fim do comércio madeireiro significará também um duro golpe para o comércio local e deve resultar em ainda mais desemprego.
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"Se não for para trabalhar em serraria, a opção é ir para as
carvoarias". A produção de carvão não é exatamente um
emprego. Na cidade há locais onde qualquer um pode queimar
madeira na esperança de que apareça alguém interessado em
comprar. Trabalhadores de carvoaria ouvidos pelo Globo Amazônia,
no entanto, apontam que não falta clientela, já que o município
é pobre e muitas pessoas cozinham com carvão em vez de usarem
gás.
Os cinco trabalhadores têm família para sustentar.
"Daqui a uns dias não vamos ter mais para dar de comer a
nossos filhos, aí a coisa vai ficar feia", observa Naldo.
Para amenizar a situação, a operação de fiscalização prevê
também a doação de cestas básicas às famílias afetadas.

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