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07/04/09 - 15h55 - Atualizado em 07/04/09 - 20h49

Alternativa a corte de madeira é a fome, dizem trabalhadores de serraria no PA

Ibama faz megaoperação em madeireiras do nordeste do Pará.
Em cidade de 20 mil habitantes, empregos estão nessas empresas.

Dennis Barbosa Do Globo Amazônia, em Nova Esperança do Piriá - o jornalista viajou o trecho Belém-Nova Esperança a convite do Ibama

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Enquanto dezenas de homens armados se movimentam no pátio de uma das serrarias ocupadas em Nova Esperanca do Piriá (PA), cinco homens permanecem sentados sobre pilhas de madeira cortadas por eles poucos dias antes e observam o movimento.

 

Foto: Dennis barbosa/Globo Amazônia

Trabalhadores de serraria observam operação ambiental em Nova Esperança do Piriá, no Pará. A economia da cidade é baseada na atividade madeireira. (Foto: Dennis barbosa/Globo Amazônia)

 

Cidade no nordeste do Pará tem cerca de 22 mil habitantes, segundo o IBGE.

Allan, 21, Pedro, 40, Alex, 33, Arnô, 42 e Naldo, 30, vieram todos do povoado de Ligação, próximo a Dom Eliseu (PA) para trabalhar na serraria paraense e foram surpreendidos nesta segunda feira (6), quando um comboio liderado pelo Ibama invadiu a cidade para acabar com o comércio de madeira retirada ilegalmente de uma terra indígena próxima (saiba mais).

Pelo que contam, sua saída do povoado anterior, há cerca de um ano, se deu em situação semelhante: a fiscalização apertou o controle sobre as madeireiras e os trabalhadores ficaram sem opção. 

 

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Em Nova Esperança ele recebem seus salários quinzenalmente. Perguntados sobre se sabiam das irregularidades na empresa em que trabalhavam, eles desconversam e argumentam que não têm outro lugar para trabalhar. Com o fechamento da serraria, em poucos dias não terão dinheiro para suas necessidades básicas. "A gente vai ter que fazer sopa de pedra para viver", comenta Arnô, desanimado. 

 

Na cidade de cerca de 22 mil habitantes praticamente não há trabalho fora das 13 serrarias que as autoridades ambientais acabam de fechar. Pelo menos outros 300 trabalhadores se encontram em situação semelhante. O fim do comércio madeireiro significará também um duro golpe para o comércio local e deve resultar em ainda mais desemprego.

 

"Se não for para trabalhar em serraria, a opção é ir para as carvoarias". A produção de carvão não é exatamente um emprego. Na cidade há locais onde qualquer um pode queimar madeira na esperança de que apareça alguém interessado em comprar. Trabalhadores de carvoaria ouvidos pelo Globo Amazônia, no entanto, apontam que não falta clientela, já que o município é pobre e muitas pessoas cozinham com carvão em vez de usarem gás.

Os cinco trabalhadores têm família para sustentar. "Daqui a uns dias não vamos ter mais para dar de comer a nossos filhos, aí a coisa vai ficar feia", observa Naldo. Para amenizar a situação, a operação de fiscalização prevê também a doação de cestas básicas às famílias afetadas.

 

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