As portas estão se fechando para os produtores rurais que não respeitam a legislação ambiental na Amazônia. O pesquisador Fiorelo Picioli, que há dez anos estuda o comportamento dos negócios ao longo da rodovia Cuiabá – Santarém, prevê que em breve essas pessoas e empresas não conseguirão mais se colocar no mercado se não adaptarem seus negócios para respeitar a floresta.
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“Quem não trabalhar as possibilidades dentro da
realidade, dentro daquilo que é coerente, daquilo que é o
correto, o certo, está fora, o mercado expurga. A sociedade
expurga, o marketing negativo dele expurga”, afirma o cientista,
que é professor da Universidade Estadual de Mato Grosso
(Unemat).
Agricultores e madeireiros já têm percebido que
suas atividades terão que passar a considerar os problemas
ambientais. “Nós precisamos fazer um grande programa de
revitalização de solos degradados e com isso talvez triplicar a
produção de Mato Grosso sem derrubar nem uma árvore sequer”,
defende o agropecuarista Otaviano Pivetta, que emprega 3 mil
pessoas em Lucas do Rio Verde e é um dos maiores exportadores de
soja e carne do país.
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Eduardo Pinto, presidente do Sindicato das
Indústrias Madeireiras do Norte de Mato Grosso, pensa de forma
semelhante. “O próprio empresário que está no segmento sabe da
necessidade de trabalhar dentro de uma linha ambientalmente
correta”, afirma.
A necessidade de preservar também alerta os pequenos. A
agricultora Iolanda, por exemplo, cultiva mudas para reflorestar
a Amazônia em um projeto pioneiro na BR-163. “Das nativas, temos
o angelo ensaia, tento, andiroba, e também o cedrinho”, conta.
No município de Lucas do Rio Verde, todos os
agricultores aderiram ao projeto de preservação das áreas nas
margens dos rios e córregos. Eles querem conquistar para o
município o certificado de que produzem sem destruir a natureza.
“O produto da região pode sair daqui com o selo
verde, com a garantia de que a conservação ambiental é aliada da
produção rural”, afirma o secretário municipal de Agricultura.
As madeireiras que surgiram em Mato Grosso ao
longo da BR-163 tiveram de se adaptar aos novos tempos para
sobreviver: em vez de vender a madeira bruta, têm que preparar o
produto para o consumo, porque cada vez mais ficou caro e
difícil extrair madeira da floresta amazônica.
“Hoje, se a pessoa quiser ficar no setor, é
obrigada a trabalhar dentro da regra. Não só por uma questão de
cumprir legislação, por uma questão de mercado mesmo”, afirma o
madeireiro José Eduardo.
Estrada de terra
Para escoar a produção da região, agropecuaristas sonham com a
pavimentação da BR-163, que ainda tem um grande trecho sem
asfalto. Com a rodovia em boas condições, o caminho até os
portos seria encurtado em mil quilômetros, pois poderia ser
usado o Rio Tapajós para exportar a produção. Hoje, a
alternativa é o porto de Paranaguá, no Paraná, a 2.300 km de
distância da produção de soja, em Mato Grosso.
Os índios Caiapós também esperam pelo asfalto.
Eles criaram em Novo Progresso, no Pará, o instituto Kabu, para
vender a produção da castanha-do-Pará e de óleo de copaíba,
destinado à indústria de cosméticos. “Vai ajudar muito para
escoar nosso produto como copaíba e óleo de castanha”, afirma um
dos representantes indígenas. Eles querem, contudo, garantias de
que o asfalto não vai trazer mais destruição ambiental.
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