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09/04/09 - 20h36 - Atualizado em 09/04/09 - 20h36

Mercado pressiona produtores para se enquadrarem em lei ambiental

Agricultores e madeireiros já tentam produzir com menos destruição.
Pesquisadores prevêem que não haverá espaço para quem desmata.

Do Globo Amazônia, com informações do Jornal Nacional

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As portas estão se fechando para os produtores rurais que não respeitam a legislação ambiental na Amazônia. O pesquisador Fiorelo Picioli, que há dez anos estuda o comportamento dos negócios ao longo da rodovia Cuiabá – Santarém, prevê que em breve essas pessoas e empresas não conseguirão mais se colocar no mercado se não adaptarem seus negócios para respeitar a floresta.

 

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“Quem não trabalhar as possibilidades dentro da realidade, dentro daquilo que é coerente, daquilo que é o correto, o certo, está fora, o mercado expurga. A sociedade expurga, o marketing negativo dele expurga”, afirma o cientista, que é professor da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat).

Agricultores e madeireiros já têm percebido que suas atividades terão que passar a considerar os problemas ambientais. “Nós precisamos fazer um grande programa de revitalização de solos degradados e com isso talvez triplicar a produção de Mato Grosso sem derrubar nem uma árvore sequer”, defende o agropecuarista Otaviano Pivetta, que emprega 3 mil pessoas em Lucas do Rio Verde e é um dos maiores exportadores de soja e carne do país.

 

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Eduardo Pinto, presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Norte de Mato Grosso, pensa de forma semelhante. “O próprio empresário que está no segmento sabe da necessidade de trabalhar dentro de uma linha ambientalmente correta”, afirma. 

 

A necessidade de preservar também alerta os pequenos. A agricultora Iolanda, por exemplo, cultiva mudas para reflorestar a Amazônia em um projeto pioneiro na BR-163. “Das nativas, temos o angelo ensaia, tento, andiroba, e também o cedrinho”, conta.

No município de Lucas do Rio Verde, todos os agricultores aderiram ao projeto de preservação das áreas nas margens dos rios e córregos. Eles querem conquistar para o município o certificado de que produzem sem destruir a natureza.

“O produto da região pode sair daqui com o selo verde, com a garantia de que a conservação ambiental é aliada da produção rural”, afirma o secretário municipal de Agricultura.

As madeireiras que surgiram em Mato Grosso ao longo da BR-163 tiveram de se adaptar aos novos tempos para sobreviver: em vez de vender a madeira bruta, têm que preparar o produto para o consumo, porque cada vez mais ficou caro e difícil extrair madeira da floresta amazônica.

“Hoje, se a pessoa quiser ficar no setor, é obrigada a trabalhar dentro da regra. Não só por uma questão de cumprir legislação, por uma questão de mercado mesmo”, afirma o madeireiro José Eduardo. 

Estrada de terra

Para escoar a produção da região, agropecuaristas sonham com a pavimentação da BR-163, que ainda tem um grande trecho sem asfalto. Com a rodovia em boas condições, o caminho até os portos seria encurtado em mil quilômetros, pois poderia ser usado o Rio Tapajós para exportar a produção. Hoje, a alternativa é o porto de Paranaguá, no Paraná, a 2.300 km de distância da produção de soja, em Mato Grosso.

Os índios Caiapós também esperam pelo asfalto. Eles criaram em Novo Progresso, no Pará, o instituto Kabu, para vender a produção da castanha-do-Pará e de óleo de copaíba, destinado à indústria de cosméticos. “Vai ajudar muito para escoar nosso produto como copaíba e óleo de castanha”, afirma um dos representantes indígenas. Eles querem, contudo, garantias de que o asfalto não vai trazer mais destruição ambiental.

 

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