A madeira retirada ilegalmente de uma floresta pode se valorizar 23 vezes até chegar ao consumidor final. É o que apontam os dados de contabilidade das madeireiras clandestinas ocupadas na megaoperação liderada pelo Ibama em Nova Esperança do Piriá (PA) desde segunda-feira (6).
Serraria ocupada pela fiscallização em Nova Esperança do Piriá. (Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)
A operação ocupou 13 madeireiras na cidade situada no nordeste paraense e apreendeu mais de 2.300 metros cúbicos de madeira de variadas espécies. Registros contábeis encontrados nessas instalações clandestinas apontam que cada árvore retirada da Terra Indígena Alto Guamá e entregue na cidade vale entre R$ 80 e R$ 100. Uma tora rende entre 1,5 e 2 metros cúbicos de madeira serrada.
Segundo o coordenador de investigação de Crimes Ambientais do
Ibama, Dalton Novaes, até 40% da tora são perdidos durante o
processo de serragem. "Se o corte for bem feito, com uma
serra-fita (tipo de serra em que o corte é feito com uma extensa
fita metálica dentada) , apenas 30% são desperdiçados",
aponta.
Ainda de acordo com Novaes, no mercado final (por
exemplo, na cidade de São Paulo, maior consumidora de madeira
amazônica) o metro cúbico de variedades como ipê, jatobá,
angelim e maçaranduba, custam entre R$ 3.500 e R$ 4.000.
Baixos salários
Segundo Novaes, para que uma serraria ilegal como as encontradas
em Nova Esperança do Piriá valha a pena, tem que trabalhar pelo
menos 500 metros cúbicos por mês. Com essa quantidade mínima,
aponta o funcionário do Ibama, o proprietário lucra em torno de
R$ 700 mil mensais, considerando que não paga impostos e
remunera mal seus funcionários. Os trabalhadores encontrados
pela fiscalização no nordeste paraense ganhavam no máximo R$ 20
por dia, valor do salário de um operador experiente.
A reportagem do Globo Amazônia
conversou com funcionários que alegavam ganhar menos de R$ 10
por dia, e ainda assim recebiam os salários quando o patrão se
dispusesse a pagar, às vezes demorando dois ou três meses.
Ainda que a lucratividade seja alta, montar uma
serraria clandestina exige um certo investimento. De acordo com
Novaes, pelo menos R$ 250 mil são necessários para começar.
"O mais caro são os tratores para transportar as toras. Por
isso quando chegamos na cidade, o madeireiros haviam escondido
suas máquinas pela floresta", explica.
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