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10/04/09 - 08h00 - Atualizado em 10/04/09 - 08h00

Entre floresta e mercado final, madeira ilegal se valoriza mais de 2.300%

Conheça os números por trás da exploração criminosa.
Serraria clandestina demanda investimento de R$ 250 mil.

Dennis Barbosa De Nova Esperança do Piriá - o jornalista viajou o trecho Belém-Nova Esperança a convite do Ibama

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A madeira retirada ilegalmente de uma floresta pode se valorizar 23 vezes até chegar ao consumidor final. É o que apontam os dados de contabilidade das madeireiras clandestinas ocupadas na megaoperação liderada pelo Ibama em Nova Esperança do Piriá (PA) desde segunda-feira (6).

 

Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia

Serraria ocupada pela fiscallização em Nova Esperança do Piriá. (Foto: Dennis Barbosa/Globo Amazônia)

A operação ocupou 13 madeireiras na cidade situada no nordeste paraense e apreendeu mais de 2.300 metros cúbicos de madeira de variadas espécies. Registros contábeis encontrados nessas instalações clandestinas apontam que cada árvore retirada da Terra Indígena Alto Guamá e entregue na cidade vale entre R$ 80 e R$ 100. Uma tora rende entre 1,5 e 2 metros cúbicos de madeira serrada. 

 

Segundo o coordenador de investigação de Crimes Ambientais do Ibama, Dalton Novaes, até 40% da tora são perdidos durante o processo de serragem. "Se o corte for bem feito, com uma serra-fita (tipo de serra em que o corte é feito com uma extensa fita metálica dentada) , apenas 30% são desperdiçados", aponta.

Ainda de acordo com Novaes, no mercado final (por exemplo, na cidade de São Paulo, maior consumidora de madeira amazônica) o metro cúbico de variedades como ipê, jatobá, angelim e maçaranduba, custam entre R$ 3.500 e R$ 4.000. 

Baixos salários

Segundo Novaes, para que uma serraria ilegal como as encontradas em Nova Esperança do Piriá valha a pena, tem que trabalhar pelo menos 500 metros cúbicos por mês. Com essa quantidade mínima, aponta o funcionário do Ibama, o proprietário lucra em torno de R$ 700 mil mensais, considerando que não paga impostos e remunera mal seus funcionários. Os trabalhadores encontrados pela fiscalização no nordeste paraense ganhavam no máximo R$ 20 por dia, valor do salário de um operador experiente.

A reportagem do Globo Amazônia conversou com funcionários que alegavam ganhar menos de R$ 10 por dia, e ainda assim recebiam os salários quando o patrão se dispusesse a pagar, às vezes demorando dois ou três meses.


Ainda que a lucratividade seja alta, montar uma serraria clandestina exige um certo investimento. De acordo com Novaes, pelo menos R$ 250 mil são necessários para começar. "O mais caro são os tratores para transportar as toras. Por isso quando chegamos na cidade, o madeireiros haviam escondido suas máquinas pela floresta", explica.

 

Se você vive ou viajou para a Amazônia e tem denúncias ou idéias para melhorar a proteção da floresta, entre em contato com o Globo Amazônia pelo e-mail
globoamazonia@globo.com. Não se esqueça de colocar seu nome, e-mail,
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