Após abate, ribeirinhos separam a carne e a pele das vísceras dos jacarés. (Foto: Instituto Mamirauá / Divulgação)
Caçar jacarés dentro de uma reserva pode parecer crime
inafiançável. Em Mamirauá, no Amazonas, é o contrário. O abate é
feito com a autorização do Ibama, apoio do governo estadual e
controlado por cientistas, que estudam uma forma dos ribeirinhos
poderem pescar algumas espécies sem prejudicar o meio ambiente.
Na última caça experimental, realizada em dezembro
de 2008, foram capturados 253 jacarés-açus, a maior espécie
brasileira de jacaré. Segundo o pesquisador Robinson
Botero-Arias, que acompanha passo-a-passo a captura e abate dos
animais, a pesca pode causar um impacto insignificante na
população dos jacarés.
“São animais que têm alta capacidade de se
regenerar e se adaptar a condições adversas. Isso não significa
que o bicho não seja vulnerável, mas em Mamirauá se conseguiu
diminuir a caça, e a população de jacarés é muito alta. Há
locais em que há cem jacarés por quilômetros na margem do rio”,
explica o biólogo.
Escolha criteriosa
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Para não prejudicar a espécie, os cientistas estabeleceram vários
parâmetros para a caça dos animais. Um dos principais é
não coletar os bichos próximos aos ninhos e evitar a morte de
fêmeas. “Nesse último manejo, o número de fêmeas não poderia
ultrapassar 10%”, conta Botero-Arias.
Os animais são caçados à noite. Em uma canoa,
munidos de uma lanterna, os ribeirinhos procuram os jacarés, que
são arpoados. O réptil é imobilizado e levado para um flutuante,
onde é realizado o abate. A próxima etapa é separar a carne, o
couro e as vísceras, que não são aproveitadas. Tudo é resfriado
e vendido para frigoríficos, que cortam a carne e embalam no
tamanho ideal para a venda.
Segundo Botero-Arias, o momento da retirada do
couro ainda é problemático na caça experimental. Como os
ribeirinhos ainda não têm um frigorífico bem preparado, é
difícil fazer com que normas sanitárias exigentes sejam seguidas.
Rastreamento
Para que o produto final não seja misturado com alimentos e peles
que vêm da caça ilegal, o Instituto Mamirauá, que cuida da
reserva, criou um lacre especial, que traz um número de
identificação. “Com esse número, é possível ver na internet
todas as características do bicho, quem capturou etc.”, relata o
cientista.
Além da caça de jacarés, ribeirinhos de Mamirauá
já fazem a pesca controlada de pirarucus e realizaram algumas coletas
experimentais de peixes ornamentais. Ambos também saem
da Amazônia com o número que permite o rastreamento.
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