Parques, reservas e terras indígenas funcionam bem para conter incêndios florestais na Amazônia. A conclusão é de um estudo lançado por pesquisadores da Universidade de Duke, nos Estados Unidos. Eles analisaram o histórico de queimadas de 1996 a 2006, e concluíram que as estradas e a degradação florestal são os principais fatores de risco para o aumento do fogo.
Mapa mostra que reservas servem como barreiras contra o fogo na Amazônia.
Segundo o estudo, publicado na última quarta-feira (8) pela revista científica de acesso livre PLoS One, 88% dos focos de incêndio em florestas ocorreram em estados com alto índice de desmatamento. Da mesma forma, quase 90% das queimadas estavam a menos de 10 quilômetros das estradas. Apesar disso, matas localizadas dentro de reserva, mesmo próximas de estradas ou em estados muito desmatados, sofreram menos a ação do fogo.
Outro fator de estímulo às queimadas são as secas.
Fenômenos como o El Niño, somados ao uso agrícola do fogo, fazem
subir o índice de focos de incêndio. “Alguns modelos climáticos
prevêem aquecimento e diminuição da água nos solos da Amazônia
Ocidental no próximo século. Essas mudanças podem aumentar muito
o risco de fogo em imensas áreas da Amazônia”, diz o artigo científico.
O estudo analisou unidades de conservação
nacionais e estaduais, que juntas somam 1,53 milhões de
quilômetros quadrados, cobrindo 37% da Amazônia Brasileira. De
acordo com os pesquisadores, não há diferença entre a ocorrência
de incêndios entre os diferentes tipos de parques ou reservas.
Mesmo nos locais em que há população dentro da área protegida,
como nas terras indígenas ou reservas extrativistas, a
quantidade de queimadas é muito baixa. Em aproximadamente 80%
dos casos, esses locais ficaram mais de um ano sem um único foco
de incêndio.
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